• Jubileu de Diamante

Advento

Goiânia,16 de novembro de 2016, ás 15h.

 

À espera do Senhor, que vem, Advento é tempo de silêncio

 

O Advento inunda a Igreja num momento de profundo silêncio. Não o mesmo silêncio experimentado nas horas que se seguiram àquela tarde da Sexta-feira da Paixão, mas um silêncio novo, o tempo do suave silêncio de Deus. Esse silêncio do Advento intenta mergulhar o homem no mistério expectante da realização das promessas. Um silêncio parecido com aquela atitude de quem está numa casa, olhando para uma porta, sabendo que o filho ou alguém esperado vai chegar. O silêncio da certeza transmutada em leve expectativa. O silêncio profético: “O Senhor, porém, mora em seu santo templo: fique em silêncio a terra inteira” (Hab, 2,20).

O silêncio implica em atitude serena da parte de cada um dos expectantes. Ele virá, o sabemos. Mas como, quando, de que modo? “Portanto, vigiem, porque vocês não sabem em que dia virá o seu Senhor. Contudo, entendam isto: se o dono da casa soubesse a que hora da noite o ladrão viria, ele ficaria de guarda e não deixaria que a sua casa fosse arrombada. Assim, também vocês precisam estar preparados, porque o Filho do homem virá numa hora em que vocês menos esperam”(Mt 24.42-44).

Esse silêncio da vigilância implica em atitudes concretas por parte de nossas famílias. Bom seria cessar o excesso de barulhos externos, viver alegremente o silêncio sem a necessidade de subterfúgios sonoros exacerbados. Olhemos para a porta, a partir de dentro de nossas casas e de nossas interioridades. Permaneçamos nessa doce e suave atitude de, em silêncio, observar que no Natal a porta se abre, um Menino nos será dado e, contemplando e celebrando festiva e serenamente a liturgia do Santo Natal, todos poderão romper com o silêncio e associarem-se ao lindo canto do louvor aos céus, na glorificação a Deus nas alturas, associando suas vozes às multidões celestiais para cantar efusivamente o louvor ao Pai que nos deu Seu próprio filho unigênito como primícia do céu e como grande e eloquente comunicação de Deus que, n’Ele, veio para salvar Seu povo das trevas e da escuridão.

 

Uma espera ativa

O texto do Evangelho que citei acima, extraído de São Mateus, ensina também que esse tempo do Advento comporta atitudes: vigilância, estar preparado. Recorda outras parábolas, como a do homem que sai em viagem e deixa um apelo aos seus servos. É preciso que os discípulos do Menino Jesus superem a estagnação e estejam continuamente preparados para a vinda do Senhor. Exercitar dentro do coração uma atitude de quem arruma a própria casa o tempo todo, deixando-a da melhor maneira possível, o mais acolhedora possível para receber o Senhor. Como Maria, cada discípulo também é inundado dessa espera ativa. Ela mesma se põe a caminho, encontra-se com Isabel, as duas mulheres que iniciam a história do Novo Testamento se encontram num abraço e em gestos que demonstram uma alegria da espera ativa. “Minha alma se exulta no Senhor. Alegra meu espírito em Deus, meu Salvador. Porque ele olhou para a humildade de Sua serva” (Lc 1,46-49).

Que as famílias de nossa Arquidiocese se preparem com decoro, com dignidade, com suavidade, com Fé para celebrar dignamente os santos mistérios deste tempo litúrgico que logo se iniciará. Acompanhe todos a proteção da Mãe de Deus, seu exemplo de atitude e de esperança, sua ternura e profunda disposição para realizar, em seu corpo e em sua existência, o querer de Deus que nos deu Seu Filho como sinal de esperança salvífica.

 

Dom Washington Cruz, CP

Arcebispo Metropolitano de Goiânia


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