• Jubileu de Diamante

Fazenda da Esperança

Goiânia,24 de novembro de 2016, às 09h15.

 

Nova unidade da Fazenda da Esperança é grande fruto do Ano da Misericórdia

 

Um lugar totalmente dedicado a ajudar o próximo. Não um próximo qualquer, mas dependentes químicos que desejam mudar de vida. Essa é a missão da comunidade terapêutica Fazenda da Esperança, que terá nova unidade na Arquidiocese de Goiânia, sendo um grande feito do Ano da Misericórdia que se encerra em todo o mundo neste domingo (20). O projeto, que tem mais de 30 anos de caminhada, conta com 121 casas em 16 países do mundo; nasceu na década de 1970, no município de Guaratinguetá (SP), com o leigo Nelson Giovanelli Rosendo dos Santos, e o frade franciscano menor capuchinho, Hans Stapel.

Na Arquidiocese de Goiânia, uma casa feminina da Fazenda da Esperança foi lançada no dia 9 de novembro. “Lançamos aqui as sementes da esperança, como fruto maior do Ano da Misericórdia e do amor de Deus que é derramado em nossos corações e se espalha aos irmãos”, disse o arcebispo Dom Washington Cruz, durante a missa em ação de graças, que aconteceu nas dependências da nova unidade.

Localizada na Rodovia GO 462, Km 3, saída para Nova Veneza (GO), a chácara onde será a Fazenda da Esperança Santa Rita de Cássia é de propriedade dos Padres Agostinianos, que são parceiros com a Obra Social Nossa Senhora da Glória, promotora do projeto. Segundo Dom Washington, o sonho de abrir uma unidade da Fazenda da Esperança é alimentado desde que ele foi bispo de São Luís de Montes Belos (GO), nos anos de 1987 a 2002. Hoje, aquela Igreja particular mantém uma casa masculina da fazenda. Com a unidade lançada em Goiânia, a Região Centro-Oeste passará a contar com duas unidades femininas, sendo a outra em Brazlândia (DF), além das casas masculinas em Aurilândia (GO) e em São Luís de Montes Belos. “Como São Luís já tem uma casa masculina, decidimos ter aqui a feminina”, justificou o arcebispo.

O presidente da Sociedade Agostiniana, padre José Florencio Blanco, presente na cerimônia de lançamento da nova unidade em Goiânia, comentou que na chácara onde será a fazenda já foi anos atrás uma casa de recuperação de alcoólatras e, por vários anos, recuperou muitas pessoas que retornaram à sociedade, mas, conforme o projeto crescia, novos desafios começaram a aparecer, como os dependentes químicos. “Por essa e tantas outras circunstâncias, a casa foi desativada, mas sempre alimentamos o desejo de destinar o espaço para outro trabalho social, e isso foi possível com o pedido da Arquidiocese de Goiânia, que veio ao encontro do nosso projeto original com a Fazenda da Esperança”, declarou.

A casa a ser inaugurada em Goiânia, a partir de agora, passará por reformas e adaptações, para acolher 18 mulheres, até o mês de abril, véspera da Páscoa. Entrevistada pelo Encontro Semanal, Fátima Roriz, coordenadora da Região Centro-Norte, que compreende as casas que estão localizadas nos estados de Goiás, Tocantins, parte do Pará, parte da Bahia, Mato Grosso e no Distrito Federal, explicou que o carisma da Fazenda da Esperança é ligado ao movimento dos Focolares (unidade) e aos franciscanos (simplicidade), pela influência do seu primeiro orientador, frei Hans Stapel, e tem como obra principal a recuperação de dependentes químicos, trabalho amparado pela pedagogia da convivência familiar e a espiritualidade à luz da Palavra de Deus. A Arquidiocese de Goiânia irá colaborar também mediante a participação de pastorais e movimentos. Um exemplo é o envio de jovens missionários às diversas casas, nos períodos de férias escolares.

Segundo Fátima, a proposta é que o acolhido permaneça na fazenda por um ano. Para isso, a pessoa precisa escrever de próprio punho uma carta contando sua história e seu desejo de mudar de vida. “Ela precisa dizer no texto que deseja deixar as drogas, que quer dar um novo sentido à sua vida, para que o processo metodológico tenha seguimento. Isso é fundamental, porque não recolhemos pessoas nas ruas e todas as nossas missões são abertas para os dependentes que queiram se recuperar”, explicou. A fazenda irá acolher também mulheres grávidas ou com filhos de até dois anos de idade que não têm outros parentes com quem ficar.

A Fazenda da Esperança feminina foi fundada em 1989 pelas leigas consagradas Iraci Leite e Lucilene Rosendo, também em Guaratinguetá (SP). Ouvidas, elas relataram a participação em mais um lançamento do projeto. “É uma alegria imensa poder lançar essa nova fazenda aqui em Goiânia”, disse Iraci. “Nos alegra ver como Deus abençoou, como o projeto cresceu e tem tantas meninas que já se recuperaram e que agora frequentam os grupos Esperança Viva”, completou Lucilene.

 

Testemunho

Muitas das mulheres recuperadas se tornam coordenadoras das casas pelo Brasil. “Do mesmo jeito que elas receberam de graça, depois de recuperadas também resolvem se doar de graça para salvar outras meninas”, acrescentou Iraci. Esse é o caso de Gabriela Alves da Silva, uma jovem de 29 anos, que, após a missa de lançamento da nova casa de Goiânia, deu o testemunho de sua vida no mundo das drogas. Ainda criança, aos nove anos de idade foi abandonada pela mãe em um orfanato, onde foi abusada sexualmente pelo monitor do abrigo. Depois disso, ela fugiu para a Cracolândia, na Praça da Sé, em São Paulo (SP), onde viveu por seis anos. Grávida, tentou abortar a criança, sem êxito. Na maternidade, ela teve o bebê, e uma religiosa que conheceu ali a encaminhou para a Fazenda da Esperança, enquanto o filho seguiu para a adoção. “Na minha cabeça eu pensava de ficar na fazenda só até engordar um pouco, mas lá conheci a misericórdia de Deus. Eu sou fruto dessa misericórdia, porque ali não fui atendida, fui acolhida, observada e eu sentia que tinha pessoas por mim”, contou.

 A jovem ainda disse que foi na fazenda que aprendeu o que é amar, porque, antes de conhecer o projeto, ela sempre pensava que as pessoas apenas queriam machucá-la. “Foi na fazenda que encontrei a melhor cama, o melhor guarda-roupa, as melhores roupas, de graça, e eu não acreditava que aquilo pudesse existir”, afirmou com os olhos marejando. No processo de recuperação, Gabriela ainda teve a oportunidade de ter de volta seu filho, Pedro Gabriel, que já está com ela há 10 anos e hoje tem 11.

Participaram da missa de lançamento do projeto, o bispo auxiliar Dom Levi Bonatto, que concelebrou com Dom Washington Cruz; vários padres agostinianos, inclusive o pároco da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, Rafael de la Torre; o coordenador arquidiocesano da Pastoral da Sobriedade, padre Paulo Roberto Barbosa; os responsáveis das unidades de Brazlândia, Palmas e São Luís de Montes Belos; e os voluntários que ajudarão a levar o projeto adiante, como os membros da diretoria do Grupo Jaime Câmara. Informações e contato: (62) 99993- 2801 ou pelo e-mail: fatima.roriz@gmail.com. Falar com Fátima Roriz.

 

 

Fúlvio Costa

 


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