• Jubileu de Diamante

Semana dos Povos Indígenas

 

Goiânia,20 de abril de 2017, às 17h10

 

Na Semana dos Povos Indígenas, bispo pede mudança de mentalidade e mais cuidado com a criação

Realizado há mais de 30 anos pelo Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia (IGPA) da PUC Goiás, a Semana dos Povos Indígenas foi aberta, neste ano, no último dia 18 de abril, na Escola de Formação de Professores e Humanidades, no Setor Leste Universitário, com conferência ministrada por Dom Guilherme Antônio Werlang, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, Justiça e Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), referencial para as Pastorais Sociais do Regional Centro-Oeste da mesma conferência, e bispo da Diocese de Ipameri (GO).

O bispo abordou o tema Povos Indígenas, territórios e biomas: berço de vida, lutas e esperanças, em sintonia com a Campanha da Fraternidade deste ano: Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida. Em sua fala, Dom Guilherme destacou a importância do Cerrado brasileiro, que já tem cerca de 15 milhões de anos e que, justamente por isso, deve ser preservado de todas as formas. “Nosso Cerrado brasileiro já chegou à maturidade e, por ter alcançado esse patamar, qualquer mal causado a ele é irreversível, porque não consegue se recompor”, destacou. Essa proteção, conforme o conferencista, passa pelo modelo de vida que levam os povos indígenas. “Precisamos reaprender com os povos indígenas que usam sua sabedoria milenar para viver como parte do sistema”. Dom Guilherme pontuou que os índios têm uma relação mística com o planeta e os animais que nele habitam, diferente das outras etnias que têm a terra como uma propriedade particular. “Para eles, a terra é do rio, e o rio é do peixe, e o peixe é da natureza”.

Dom Guilherme disse também que é urgente uma mudança de mentalidade para que os biomas possam ter uma sobrevida. “O bioma é uma rede, assim como o artesanato de crochê. Se você tira um fio, o material se abre todo. A vida é toda interligada, por isso precisamos mudar a relação, os conceitos e quebrar paradigmas. Ou mudamos ou já assinamos nossa sentença de morte”, declarou. 

Esperança

Uma das maiores mentiras potencializadas de modo especial pela mídia, segundo o conferencista, é que não é possível produzir em grande escala sem o uso de agrotóxicos e sem a derrubada da vegetação nativa. “O capital internacional nos faz acreditar que mentiras são verdades, que não é possível produzir sem derrubar árvores, sem envenenar as plantações, mas o grande problema é a concentração nas mãos de poucas famílias e a maior verdade é que o planeta como um sistema tem condições de produzir até três vezes mais do que produz hoje sem destruir”, afirmou. “Somos condicionados a acreditar que o único modelo de vida é o nosso, mas os indígenas mostram que é possível provar o contrário”, concluiu.

Além de Dom Guilherme, participou também do evento de abertura da Semana dos Povos Indígenas, a pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa, profa. Milca Severino, representando o reitor Wolmir Amado; a diretora do Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia (IGPA), Eliane Lopes; o prof. Romilson Martins Cerqueira, diretor da Escola de Formação de Professores e Humanidades; e o educador Sinvaldo Oliveira Wahuka, que é índio carajá. Ele falou sobre as relações do seu povo com o bioma Cerrado.

Programação

Uma programação especial dedicada à reflexão e estudo sobre os Povos Indígenas acontecerá nos dias 24 a 27 de maio, no Câmpus II da PUC Goiás, dentro das atividades da Jornada da Cidadania 2017. Mesas-redondas, oficinas, apresentações de trabalhos e experiências interativas serão algumas das atividades que estarão concentradas na Aldeia Timbira, no Memorial do Cerrado, e no Bloco G. Acontecerá ainda uma mostra de cinema indígena, seguida de sessão de debates com lideranças. A experiência da Yandê, primeira web rádio indígena do Brasil, será compartilhada. Também ocorrerá uma oficina de arquitetura. A Semana dos Povos Indígenas se encerrará no dia 1º de junho, com a apresentação de um projeto do IGPA, que envolve a qualificação de imagens indígenas, financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). 

Fúlvio Costa


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