• Jubileu de Diamante

Epifania

Goiânia,09 de Janeiro de 2016, às 17h30.

Epifania: o compromisso de Deus com todos os povos

A Palavra de Deus, no Evangelho (cf. Mt 2,1-23), narra o que se sucedeu após o nascimento de Jesus na cidade de Belém da Judeia, com a visita dos magos (sábios) ao novo Rei dos judeus. “Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra” (Mt 2,11-12).

O trecho acima descreve a Solenidade da Epifania do Senhor, de origem antiquíssima que, conforme o ex-professor de Bíblia do Instituto Santa Cruz e pároco da Paróquia São José, do Setor Sul, monsenhor João Daiber, trata-se da manifestação de Deus, pelo seu Filho, a toda a humanidade, como Messias e Salvador do mundo. Essa é uma das três epifanias do Senhor. As outras duas manifestações são a João Batista no Rio Jordão (cf. Mt 3,13-17) e aquela que se deu no começo da sua vida pública com o milagre do vinho: “Jesus o realizou em Caná da Galileia. Manifestou sua glória, e os seus discípulos creram nele” (Jo 2,11).

No Brasil, e em boa parte da Igreja Ocidental, a Epifania do Senhor também é conhecida como Festa dos Reis Magos, comumente celebrada no dia 6 de janeiro. É importante frisar que a palavra “mago”, na época de Jesus, era empregado para “sábio”, de modo particular aos sacerdotes da Caldeia que foram os primeiros a estudar astronomia no mundo. Mago, portanto, não tem sentido esotérico ou astrológico. Carregada de simbolismo e de rico conteúdo, uma das ações que mais chamam a atenção no episódio da visita dos sábios é o fato de eles terem dado presentes ao menino: o ouro, que significa a realeza, pois era um presente reservado aos reis; o incenso, a divindade, presente reservado aos sacerdotes; e a mirra, reconhecimento da humanidade e símbolo do sofrimento, era presente aos profetas. Esta última era usada para embalsamar corpos, representava a imortalidade e simboliza também o prenúncio das dores da paixão redentora do Cordeiro a ser imolado para tirar o pecado do mundo. A Igreja, portanto, interpreta a visita dos magos como o cumprimento da profecia de Davi: “Os reis de Társis e das ilhas vão trazer -lhe tributo. Que o adorem todos os reis da terra, e o sirvam todas as nações” (Sl 72,10-11). Com os presentes, o menino era reconhecido como Rei, Deus e Profeta.

Segundo monsenhor Daiber, a estrela que os sábios avistaram era somente um indicativo que os levou até Jesus. O mais importante, de acordo com ele, é o significado dessa luz e de como eles a interpretaram. “O fato de eles verem uma estrela não impressiona muito porque qualquer um pode ver, mas a ação de olharem para cima mostra que eram verdadeiramente sábios”. De acordo com o monsenhor, o sinal significa que o homem não existe simplesmente para comer, beber e procriar como qualquer outro animal. “Existe uma outra realidade que não é o mundo visível; um mundo diferente que pode ser percebido pela fé”, disse.

"E é assim que Deus se comprometeu conosco, com a sua manifestação durante toda a vida humana de seu filho Jesus’’

 

Justiça e Fraternidade

Os magos eram pessoas religiosas, ainda conforme o biblista, justamente porque não acreditavam só naquilo que viam. E, com o nascimento de Jesus, eles enxergaram além: um questionamento convidando-os a iniciar uma nova caminhada. “Não sabemos exatamente porque deixaram tudo para iniciar aquela caminhada, mas devem ter esperado encontrar algo diferente, um mundo mais justo e fraterno, que tem mais sentido”, sublinhou.

Monsenhor Daiber disse também que os magos sabiam que não podiam encontrar essa nova realidade num livro erudito, em um sistema ou teoria, para a resolução dos problemas do velho mundo, porque a salvação só podia vir por uma pessoa. Ele compara a manifestação do Senhor com a rotina de compromissos que se realiza todos os dias na vida comum. “Se não tiver uma pessoa responsável, o hospital com os melhores equipamentos do mundo não é sufi ciente diante de uma doença; da mesma forma, a escola bem equipada de nada é capaz sem pessoas dedicadas e interessadas nos alunos. A criança abandonada só pode ser salva se tiver alguém que lhe diga: ‘Eu vou me comprometer contigo’. E é assim que Deus se comprometeu conosco, com a sua manifestação durante toda a vida humana de seu filho Jesus”, explicou.

A Epifania do Senhor é ainda marcada por forte e expressiva piedade popular, inclusive a Folia de Reis, bastante difundida em Goiás.

Fúlvio Costa


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