• Jubileu de Diamante

Tempo Pascal

Goiânia,18 de abril de 2017, ás 10h15.

 

Os 50 dias de alegria e esperança na Ressurreição do Senhor

“Ó Deus, por vosso Filho Unigênito, vencedor da morte, abristes hoje para nós as portas da eternidade”

 

Celebrado o “grande inverno” da Quaresma, tempo de oração, jejum, penitência e esmola, longo período litúrgico (40 dias) de preparação para a celebração anual do Mistério Pascal, a Igreja viveu intensamente, nos últimos dias, a Semana Santa, na qual está inserido o Tríduo Pascal (duração de três dias), que começou na missa vespertina da Quinta-feira Santa (Última Ceia) e foi até o Domingo de Páscoa do Senhor – centro da gravidade do Ano Litúrgico.

O Tempo Pascal que se inicia é o período de “recomeçar, regenerar, rebrotar”, conforme explicação do coordenador arquidiocesano de Liturgia, padre Antônio Donizeth do Nascimento. Isso porque trata-se de uma festa genuinamente judaica criada para celebrar a festa das primeiras colheitas, portanto, tem uma espiritualidade contemplativa das obras da criação. De acordo com o liturgista, o período casaria bem com os meses de setembro e outubro no Brasil, ou seja, período em que começam as primeiras chuvas e que aparece o esplendor do Cerrado. “O Tempo Pascal seria como que sair de um grande inverno e entrar na Primavera”. A partir dessa reflexão, ele faz uma ligação interessante da Campanha da Fraternidade deste ano com a espiritualidade da Páscoa do Senhor. “Pela temática da CF podemos olhar para a criação como a primeira obra, o primeiro livro que Deus escreveu, que nos conta a sabedoria divina”.

Sobre a liturgia da Igreja, padre Antônio diz que é importante as pessoas entenderem que ela é organizada em ciclos: Natal, Comum e Pascal.

Este último, o qual estamos vivendo, começou na Quarta-feira de Cinzas, no dia 1º de março, e segue até a Solenidade de Pentecostes, no dia 4 de junho. Mas o Tempo Pascal propriamente dito, começa neste Domingo de Páscoa do Senhor e segue até Pentecostes, portanto, 50 dias. “É um único mistério que celebramos.

Não existe Quaresma por si só e não existe Páscoa por si só. O mistério da Páscoa na Paixão, sofrimento, no caminho da penitência, é uma dimensão pascal. Ainda não festiva, é claro, mas já é uma dimensão pascal de conversão, tomada de consciência do pecado, do propósito de mudança, do compromisso com as causas solidárias, como a Campanha da Fraternidade, que reflete sobre o zelo pela criação”, explicou.

O Tempo Pascal nas comunidades

Como viver nas comunidades um tempo tão profundo que norteia toda a vida da Igreja? Segundo padre Antônio, é indispensável não separar a alegria e a exultação da Páscoa do caminho quaresmal. Na prática, isso quer dizer que um se entrelaçaao outro. A Quaresma é umperíodo de recolhimento, jejum, penitência,prática de caridade, esmola,tempo forte de disciplina maiorde escuta da Palavra e de um olharprofundo das realidades da vida daIgreja, da família e da sociedade. E oTempo Pascal dá seguimento a essecaminho. “A alegria da Páscoa é frutode um caminho de conversão, porisso, não é uma alegria banal de umsalão de festas, de um bar que vocêentra e sai, mas é a consequência daexperiência da cruz, da Paixão, Mortee Ressurreição de Jesus Cristo –grande marco que deve determinar anossa alegria”.

A alegria da Páscoa deve ser evidenciada nesse longo Domingo Pascal, conforme padre Donizeth, pelos elementos simbólicos dos cânticos e na forma de preparar o ambiente. Para muitos fiéis, por exemplo, é curioso que Jesus crucificado esteja no altar o ano inteiro, inclusive no Tempo Pascal. Não tem nenhum dia que se tira a cruz do altar, mesmo que alguns achem desconfortável.

Sua permanência, conforme padre Antônio, “quer reclamar à nossa consciência de que a nossa alegria não mancha nem murcha, porque é uma alegria que não experimenta o ocaso, que não é vencida, mas é imbatível, fruto da entrega generosa do Pai que nos deu seu Filho, e do seu Filho que é obediente à vontade do Pai, que se deu em sacrifício de amor e reconciliação para nós”. Ainda conforme ele, a “a alegria da Páscoa não pode ser uma alegria que se distrai e se esquece da cruz”.

Oitava da Páscoa

Na Oitava da Páscoa, isto é, os oito dias que se sucedem ao Domingo da Páscoa do Senhor, prolongamento da Vigília Pascal que vai até o pôr do sol do segundo domingo após a Ressurreição, os cristãos devem vivê-lo como se fosse aquela única e grande alegria daRessurreição do Senhor. “Nesta semana, que corresponde ao mesmo período em que Deus se preocupou em realizar a obra da criação, somos chamados a celebrar e cantar o louvor a ele e professar a alegria da fé no cotidiano da vida”.

A Via Lucis (Caminho da Luz) é um exemplo importante de prática de piedade popular em que a Via Sacra é estendida e contempla as grandes iluminações que Cristo, na sua obra no mundo e na sua Morte e Ressurreição, traz para a humanidade. Para os nossos dias, de modo especial neste período de crise por que passa o Brasil, padre Antônio diz ser um elemento importante de contemplação. “A Via Lucis nos ajuda a não ficarmos apenas no campo da tragédia, da fatalidade, da dor, da opressão e da realidade do pecado que nos domina. Ela nos ajuda a levantar o olhar para além da cruz, visualizar a Ressurreição, a Ascenção do Senhor que se senta à direita de Deus Pai todo Poderoso, intercedendo por nós e aguardando a sua vinda”, destacou.

Com a Solenidade de Pentecostes, completa o liturgista, completa-se o Ciclo do Mistério Pascal. “Por isso cada domingo é chamado de Páscoa Semanal. No sexto dia Deus terminou a obra e no sétimo ele descansou, por isso nós celebramos em sete semanas e sete domingos, até a vinda do Espírito Santo, no Pentecostes, a contemplação do esplendor da regeneração”. A partir disso, todo domingo é sempre uma volta à fonte do Batismo, ao Domingo da Ressurreição, Dia do Senhor, daquele que tem o senhorio de tudo”.

Fúlvio Costa


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