• Jubileu de Diamante

Palavra do Arcebispo

Goiânia,04 de novembro de 2016,às 08h50.

 

Vocação humana: o bem e a misericórdia

 

"A partir da Trindade, fundamento maior do sentido da Criação, se compreende que o ser humano é criado para a felicidade, para a harmonia, para o bem."

Há um chamado fundamental que realiza o destino do homem sobre a terra: a sua intrínseca e natural vocação para o bem. O pecado distorce a imagem original da pessoa humana, precipuamente dotada da Suma Beleza que o próprio Criador é e segundo a qual modelou toda a Criação e, sobremodo, o homem. “E Deus viu que tudo era muito bom”, assim exalta o autor sagrado ao narrar a obra-prima final, cume da Criação: homem e mulher Ele os criou.

Inclinado naturalmente para o bem, corrompido pela natureza do pecado, o ser humano encontra nessa abertura para a verdade sobre si, para a verdade sobre o outro e para a verdade para o Absolutamente Outro o sentido magistral de sua vida. Nessa singular vocação – chamado, voz, atração – que Deus exerce sobre o homem reside a maior graça e motivo de sua vida. Deus se volta amoroso e misericordioso para os homens e mulheres de todas as raças e línguas, de todos os povos e culturas, e os atrai para junto de Si, não como algo ou alguém estranho ao homem, mas como o Pai que reconhece seus filhos no afã de que seus filhos O reconheçam como o Pai Eterno, como o Pai das Misericórdias.

A Igreja, Corpo Místico todo-misericordioso porque nascida do lado do Cristo Crucificado como ato de inteira prova de misericórdia de Deus para com os homens, por iniciativa do papa Francisco, anunciou em março do ano de 2015, a instituição de um Ano Jubilar todo ele dedicado ao tema e às ações concretas da Misericórdia. Esse tempo jubilar serviu como um grande afago de Deus sobre as fraquezas humanas e com a nítida intenção de suscitar em todos a profunda certeza dessa natural inclinação para o bem e para a bondade. Ainda que o mundo esteja tão alheio a essa realidade da beleza teológica intrínseca a cada pessoa por vontade libérrima do Criador, a Igreja não cessa de interceder, com Cristo Sacerdote e Pastor, junto a Deus Onipotente para que a humanidade retome o caminho da fraternidade e da paz, da concórdia e do diálogo. Afinal, a humanidade originou-se da perfeita comunhão que a Trindade Santa é. A partir da Trindade, fundamento maior do sentido da Criação, se compreende que o ser humano é criado para a felicidade, para a harmonia, para o bem.

Aqui o sentido profundo da misericórdia. Mesmo que estejamos nos aproximando da celebração de encerramento do Ano Santo da Misericórdia, esse apelo para o bem, para o exercício da concórdia e do diálogo, para a paz, para o bem-querer e para o perdão, para a justiça que emana desse revigoramento da inclinação natural para o Bem permanecerá na ordem-do-dia da nossa vida arquidiocesana: “Precisamos sempre de contemplar o mistério da misericórdia. É fonte de alegria, serenidade e paz. É condição da nossa salvação” (Papa Francisco, Misericordae Vultus, Bula de Proclamação do Ano Santo da Misericórdia, 11/04/2015).

A Paz, que excede todo entendimento, esteja em todos os lares e em todos os ambientes em nossa Arquidiocese. E que Maria, Mãe de Misericórdia, eduque a Igreja de seu Filho para que sejamos, como ela, arautos da misericórdia e do bem.

Dom Washington Cruz

Arcebispo Metropolitano de Goiânia


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