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1ª Reunião Mensal de Pastoral 2018

1ª Reunião Mensal de Pastoral 2018

Superar a violência via caminhada cristã

Os caminhos para a superação  da violência na sociedade

     No próximo dia 10 de feve­reiro, das 8h30 às 12h30, acontecerá, no Centro Pastoral Dom Fernando (CPDF), a primeira Reunião Mensal de Pastoral do ano. Nela terá desta­que a abordagem do tema O enfren­tamento da violência na perspectiva da Sagrada Escritura, que será apresen­tado pelo frei Fernando Inácio Pei­xoto de Castro, vigário da Paróquia São Francisco de Assis, do Setor Leste Universitário. A palestra está em sintonia com o tema e o lema da Campanha da Fraternidade 2018, respectivamente, “Fraternidade e superação da violência” e “Em Cris­to somos todos irmãos” (Mt 23,8).

     Como todos os anos, a Campa­nha da Fraternidade tem o objetivo de preparar os fiéis, os pastores e a Igreja de modo geral para a Páscoa do Senhor. Por isso, a campanha provoca a Igreja e a sociedade a re­fletir um tema específico no sentido de recuperar a dimensão da fraterni­dade na vida cristã. Neste ano, a CF direciona a busca da fraternidade em vista da superação da violência.

     Frei FernandoFrei Fernando, em entrevista, falou sobre o tipo de violência que trata a Palavra de Deus e aquela que a Campanha da Fraternidade nos propõe para que atitudes não vio­lentas possam nortear e transformar nossas vidas e a sociedade. De acor­do com ele, o conceito de violência na Bíblia aparece sob duas verten­tes. A primeira fala de “uma verten­te má, que é a mais numerosa, por exemplo, não seja violento com o pobre que te suplica, que quer di­zer: trate-o com mansidão porque o contrário da violência é mansi­dão. É ainda dizer: seja atento ao pobre, seja generoso com ele; o que em nossos dias entraria também nas questões trabalhistas, nas relações humanas”. Ele comentou que São Paulo, no capítulo terceiro da Car­ta aos Colossenses, diz o seguinte: “maridos, não sejam grosseiros com as suas esposas”. Segundo o frade, São Paulo faz um sinal para uma tendência comum de violência pre­sente em todas as épocas.

     “Conforme frei Fernando, a violência é o grande fenômeno do tempo atual. É um sentimento, um excesso de uma emoção que chamamos de ira. Esta que, por sua vez, é um dos sete pecados capitais. A violência, portanto, é uma ira sem controle, sem medida, que ultrapassa a normalidade da emoção humana. Se bem administrada, pode ser uma emoção importante para a vida, que impulsiona a alcançar objetivos. Fora de controle, pode levar a tragédias”

     Já a segunda vertente de violên­cia presente na Bíblia é positiva e bastante citada nos evangelhos. Ele explicou esse ponto citando a passa­gem: “O Reino dos céus é arrebata­do à força e são os violentos que o conquistam” (Mt 11,12). “A palavra violência vem do verbo violar, ou seja, transgredir, ultrapassar medi­das. Então podemos dizer que a vio­lência é uma emoção que ultrapassa a medida do controle da pessoa que a tem. Portanto, quando a palavra diz que o Reino dos céus é dos vio­lentos, quer dizer que é daqueles capazes de ultrapassar as medidas para alcançá-lo”.

     Diante disso, à luz da Palavra de Deus, frei Fernando disse que a Campanha da Fraternidade nos convoca a superarmos o comporta­mento de violência por uma atitude de fraternismo, isto é, de nos reco­nhecermos como irmãos. Trata-se de uma reação da Igreja ao mundo violento. Para tanto, ele sugere três pontos de partida:

Família: Em casa, aprendemos a superar atitudes de violência ou de uma ira não bem administrada. Papai e mamãe violentos são uma bela escola de violência aos filhos. E isso não é apenas em gestos, tapas e socos. Uma palavra grosseira é uma ótima lição para um filho aprender a ser violento. A Igre­ja, diante disso, precisa investir na Pastoral Familiar. É na família que se aprende a ser irmão, por isso também os pais não podem ter apenas um filho. Ora, como meu filho ou minha filha vai ser fraterno e aprender a administrar suas emoções se ele não tem ir­mão? Como queremos que ele seja irmão se não formos capazes de dar irmãos a ele?

Comunidade Igreja – Catequese: Os bispos, padres e vigários, precisam investir em seus leigos a partir da catequese. Como alguém pode se aproximar do Batismo, da Crisma, da Primeira Eucaristia se não é uma pessoa que aprendeu a administrar sua ira, suas emoções e se tornou violento? É algo que precisa ser observado com aten­ção. É importante também que junto com a catequese caminhem psicólogos, psiquiatras, médicos, pedagogos, pessoas que são capa­zes de ajudar nossos catequizan­dos a aprender atitudes de não violência. Isso é ser irmãos.

Promoção de atitudes não violentas:É fundamental divulgar artigos, criar programas, mostrar iniciati­vas que apresentem as buscas para se vencer a violência. Vi esses dias um comercial na televisão muito interessante, que dizia: “respeito tua religião, respeito tua raça, res­peito teu grupo. Pode até não me  agradar, mas eu respeito. E respei­tar já é um jeito de não ser violento. Com esses três meios, a Igreja, nes­te tempo de Quaresma, pode aju­dar a sociedade a ser menos violen­ta. Capaz, sim, de irar-se pelo que é mal, mas administrar a ira para que ela não seja violenta”, concluiu.

O lento e necessário processo de superação da violência

     Infelizmente, no primeiro se­mestre de 2017, aconteceram 28 mil assassinatos no Brasil, entre homi­cídios dolosos, lesões corporais se­guidas de morte e latrocínios, casos de roubos seguidos de morte. Os dados revelam um crescimento de 6,79% em relação ao mesmo perío­do do ano anterior e apontam que o país pode retornar aos 60 mil casos anuais de crimes como esses.

     Em outubro do ano passado, um episódio incomum de violência em Goiânia teve repercussão nacional. O fato aconteceu no Colégio Goya­ses, escola de ensino infantil e fun­damental, do Conjunto Riveira, e resultou no assassinato por arma de fogo dos adolescentes de 13 anos de idade, João Pedro Calembo e João Vitor Gomes. Isadora de Morais, de 14 anos, ficou paraplégica.O au­tor do crime, um adolescente de 14 anos, que estudava na mesma sala das vítimas, hoje está em processo de ressocialização, em Anápolis.Katiuscia Gomes Fernandes

     Ainda muito abalados com a per­da do filho João Vitor, Katiuscia Go­mes Fernandes e o esposo Fábio Mo­reira Fernandes, que têm mais dois filhos, uma menina de um ano e um adolescente de 11, buscam forças em Deus para poder reconstruir a vida da família. Os questionamentos, po­rém, nunca cessam, e as lembranças do filho estão por toda parte. Para ela, o processo de superação da vio­lência que sofreu é lento, de muita oração e participação na vida da co­munidade, na Paróquia Santo Iná­cio de Loyola, no Conjunto Riviera. Padre Aurélio, afirmou Katiuscia, tem sido uma força permanente em sua direção espiritual.

     Com dificuldades para falar so­bre o assunto, ela disse também que sua identidade cristã, fruto de uma caminhada anterior como ca­tequista e na Pastoral do Batismo, aliada à união da família, é que tem agregado sentido à sua vida após a perda do filho mais velho. “Foi muito difícil, mas hoje eu já consigo aceitar a partida dele, embora os questionamentos ain­da continuem”. A Oração de pa­dre Pio, que pede a permanência de Deus em todos os momentos da vida, é outra força para a mãe. “Rezo sempre esta oração porque ela diz tudo: se Deus não ficar co­migo, tudo fica escuro e vazio”.

     João Vitor, conforme descrição da mãe, era um jovem piedoso, de caminhada na Igreja, devoto de São Paulo, que amava a Santa Missa. “Aos sete anos de idade ele não gos­tava, mas eu lembro exatamente o dia do início do processo da conver­são dele. Foi após um encontro de catequese que ele passou a entender o sentido da Santa Missa. Os olhos dele brilhavam tanto!”. Apesar da dor que sofre, Katiuscia disse ain­da lamentar pela família do adoles­cente que tirou a vida do seu filho. “Não desejo essa dor para ninguém e lamento muito pela família e pelo próprio jovem. Estamos neste mun­do para criar nossos filhos para a eternidade, e essa é uma missão muito difícil de cumprir. A lição que tiro de tudo isso, se é que posso chamar de lição, é que eu contribuí para meu filho ir para um bom lu­gar na eternidade. Por isso é impor­tante a família participar da vida dos filhos hoje, pois, amanhã, pode não dar mais tempo”.

 

Fúlvio Costa

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