Jesus fica para sempre conosco na eucaristia, dando a sua vida por nós!”
Dom Washington Cruz, CP
Corpus Christi, a festa em que os católicos manifestam publicamente a fé na presença real e verdadeira de Cristo no sacramento do seu Corpo e Sangue na Eucaristia, Cristo presente no meio do povo. Esta celebração também é sinal da unidade, em que os fiéis, professando a mesma fé, se reconhecem como irmãos e irmãs, unidos no amor de Cristo.
O arcebispo Dom Washington Cruz, desde o ano de 2005, reúne todas as paróquias e comunidades da Arquidiocese de Goiânia em uma única celebração, realizada na Praça Cívica. Neste ano, cerca de 10 mil pessoas estiveram presentes na celebração, que começou a ser preparada dias antes, com o planejamento da confecção dos tapetes para a ornamentação das ruas. Os fiéis católicos, mergulhados no mistério eucarístico, em meio ao momento político-social dramático do Brasil, deram testemunho de fé em um Deus que é alimento, caminho, presença e amor. A solenidade do Corpo e Sangue Cristo, com a participação de seu povo fiel, ilumina todas as realidades físicas e espirituais.

Confecção dos Tapetes
Preparar o caminho para o Senhor. Como em Jerusalém, os fiéis esperam por Cristo exultantes de alegria por sua presença. Pe. Jairo Gomes, coordenador da confecção dos tapetes para procissão de Corpus Christi deste ano, salientou que a organização começa meses antes, desde a escolha dos símbolos que exaltam a Eucaristia, dos elementos litúrgicos, da preparação da serragem e demais materiais, até o transporte e a divisão dos espaços para cada paróquia.
Mais de 40 paróquias estiveram comprometidas com a confecção que começou às 7 e terminou por volta das 12 horas. Mais de mil pessoas estiveram engajadas no trabalho que, apesar das responsabilidades assumidas particularmente, foi reflexo de partilha e encontro, pois as paróquias se ajudaram mutuamente, acolhendo umas às outras, seja com a divisão de material e lanche, seja, simplesmente, com um sorriso de ânimo.
Dom Moacir S. Arantes, bispo auxiliar e coordenador pastoral, fala da beleza desse impulso de ir ao auxílio com gratuidade e amor, sinal da presença de Cristo. A manhã deste dia também foi marcada pela comunhão entre pastores e fiéis: o arcebispo Dom Washington Cruz e seus bispos auxiliares, Dom Levi e Dom Moacir, percorreram o trajeto ornamentado da procissão, ao redor da Praça Cívica, cumprimentando, como pastores deste povo, todos que ali se encontravam e, entre eles, diversos padres, diáconos, religiosos e religiosas. A unidade da Igreja é caminho fecundo para à ação do Cristo.
Homilia
Em sua homilia, o arcebispo Dom Washington destacou que Cristo, em seus últimos momentos, quis firmar uma aliança, um “pacto” de amizade com o povo, “selada e celebrada com o seu próprio Corpo e Sangue, isto é, com a sua própria vida, entregue até ao fim por todos nós!”. O arcebispo destacou ainda que, assim como Jesus, os cristãos são chamados a dar a vida pelos irmãos e irmãs, pois assim se realiza a verdadeira aliança. E afirmou que celebrar a Eucaristia é dizer e fazer como Jesus fez:
“Esta minha vida não a quero guardar exclusivamente para mim”. Este é afinal o espírito da nova aliança: Jesus fica para sempre conosco na Eucaristia dando a sua vida por nós!
Dom Washington salientou ainda que a celebração de Corpus Christi é momento de reconhecer os pecados e renovar a fé, conscientes de sermos indignos, por causa dos pecados, mas com a necessidade de nos alimentarmos no sacramento eucarístico. “Renovemos, neste dia do Corpo de Deus, a nossa fé, na real presença de Cristo, vivo e ressuscitado, na Santíssima Eucaristia!”, exortou.
Santa Missa
Sangue de Cristo é também a festa da Unidade, em que os fiéis se reconhecem como povo de Deus e são convidados a participar da Ceia, na qual o próprio Cristo se faz alimento para a salvação dos homens. A eucaristia é o centro da Santa Missa. Papa Francisco, em uma de suas catequeses, destacou que nela somos chamados “a experimentar a íntima união com Cristo, fonte de alegria e de santidade".
Os representantes do clero, com a sua presença, são reconhecidos como discípulos de Cristo, que diante do Senhor são humildes servos com missão de ser presença de Jesus nas comunidades e paróquias. O arcebispo Dom Washington, em fala enfática, destacou aos padres que Cristo deve ser sempre o centro e destaque na celebração eucarística, que diante dele somos todos filhos. E lembrou a responsabilidade de cada sacerdote, relembrando a fala de Jesus a seus apóstolos “Quem vos ouve, a mim me ouve”.

A procissão, momento muito esperado por quem trabalhou na confecção dos tapetes, iniciou-se pelas mãos do arcebispo Dom Washington, que em meio a todo o clero e seguido pelo povo levou Jesus Eucarístico, percorrendo o caminho preparado. A grande simbologia da procissão, segundo Dom Levi Bonatto, é Cristo que caminha com seu povo e o acompanha também no trilhar da sua vida.
Durante o trajeto, a multidão emocionada revezou entre momentos de louvor, oração e profundo silêncio. A animação da Santa Missa ficou por conta do coral Santa Cecília integrado por mais de 100 vozes. Ao retornar ao altar, todo o povo se ajoelhou em adoração, reconhecendo Cristo como único Senhor, presença real. E definitivamente, nas palavras de Dom Moacir, “a Eucaristia não é um símbolo, não é uma coisa, mas é uma forma de manifestação, entre nós, da própria presença de Cristo, que é Deus Verdadeiro de Deus Verdadeiro. Assim, sendo presença real de Jesus, é presença viva de Deus Filho entre nós. O Verbo se fez carne no seio da Virgem Maria e se faz alimento no seio da Igreja. É, pois, uma festa de adoração, de louvor, de gratidão, uma vez que um Deus que não se adora não poderia ser o Deus verdadeiro. Jesus Cristo é Deus. A Eucaristia é Cristo ressuscitado entre nós!”
Depoimentos
“Deus continua caminhando conosco e nos conduzindo. Assim o cremos e isto proclamamos com nossa atitude de nos reunirmos no centro da cidade dos homens, proclamando o Senhorio de Jesus Cristo sobre todas as realidades.” Dom Moacir S. Arantes, Bispo auxiliar da Arquidiocese de Goiânia
“É a primeira vez que sirvo nesta celebração, a emoção é indescritível, ver aquela multidão sedenta do amor de Cristo. Só vivendo para entender” Silvana Teixeira de Oliveira Bárbara
Participar da celebração, especialmente no momento da procissão, é algo que mexe muito com meu coração, pois eu realmente creio que Jesus está aqui nesta hóstia consagrada e eu vou caminhar com Ele. Ele é meu caminho, minha verdade e a minha vida. E venho e trago toda a minha família! Marta Ávila
“Sou ministro da Eucaristia há mais de 48 anos, há 8 a sirvo na celebração de Corpus Christi, que a cada ano fica melhor. É gratificante o que fazemos para Deus com alegria e amor. Espero continuar servindo até quando Deus permitir!” Manoel Moreira da Silva
Confira entrevista com Dom Moacir Silva Arantes
1. Qual o sentido da Festa de Corpus Christi e qual importância da festa no calendário litúrgico dos cristãos católicos?
A Festa de Corpus Christi é uma manifestação pública da nossa fé na presença real e verdadeira de Cristo no sacramento do seu Corpo e Sangue. A eucaristia não é um símbolo, não é uma coisa, mas é uma forma de manifestação, entre nós, da própria presença de Cristo, que é Deus Verdadeiro de Deus Verdadeiro. Assim, sendo presença real de Jesus, é presença viva de Deus Filho entre nós. O Verbo se fez carne no seio da Virgem Maria e se faz alimento no seio da Igreja. É, pois, uma festa de adoração, de louvor, de gratidão, uma vez que um Deus que não se adora não poderia ser o Deus verdadeiro. Jesus Cristo é Deus. A Eucaristia é Cristo Ressuscitado entre nós!
2. Porque é importante essa manifestação pública da fé na Eucaristia?
É importante porque vivemos um tempo em que se emitem muitas opiniões sobre os dogmas religiosos católicos, sobre os sacramentos católicos, sobre a doutrina católica. E muitas dessas opiniões não são de católicos e, por isso, não são de pessoas que realmente compreendem o significado do cristianismo dentro do pensamento católico. Assim é preciso que a Igreja, que guarda o depósito da fé e fala com legitimidade sobre a fé, expresse para os fiéis por palavras e atos aquilo que um católico deve crer, deve professar e deve viver a partir de sua fé em Deus e na Igreja, sobretudo a fé na Eucaristia, que é um dos pontos centrais do catolicismo e que, mesmo na mente de muitos católicos, não é bem compreendida.
3. A festa acontece todos os anos. O senhor acredita que a cada ano porém, ela vem ao encontro do clamor e necessidades da realidade atual?
. Acredito que toda manifestação litúrgica engloba a vida dos fiéis. Assim também esta Festa que chama a compreender a presença viva de Deus que está no meio do seu povo, caminha com ele, alimenta-o e nutre-o para que não desfaleça no caminho (como o fez com o povo no deserto por meio do maná e com Elias por meio do pão e da água). Chama também os fiéis a unidade desejada por Cristo em torno dele. O que une os fiéis é o amor que comungam em Cristo, e que devem manifestar uns aos outros. Assim, são duas realidades muito presentes hoje, a necessidade de reconhecer a presença de Cristo entre nós e de buscar a unidade em torno da figura do Pastor (Bispo Diocesano) que faz as vezes do Cristo.
4. Como coordenador de Pastoral da arquidiocese, qual a importância da adesão das paróquias, comunidades, clero e demais instituições católicas neste dia de festa?
A Igreja faz a Eucaristia e a Eucaristia faz a Igreja. Não existe Igreja sem Eucaristia, pois não existe Igreja sem Cristo! Cada comunidade, paróquia, cleros e organizações católicos estão vinculados ao pertencerem a uma mesma Igreja (Católica Apostólica
Romana), que está presente num território (Arquidiocese) sob o governo pastoral e administrativo de um Apóstolo (arcebispo). Há um vínculo de dependência profunda entre todas essas realidades: não há comunidade e paróquia sem arquidiocese (as comunidades e as paróquias são a arquidiocese presente no território específico sob a condução de um representante do arcebispo); não há presbítero (padre) ou diácono sem a vinculação a um bispo, o ministério deles depende do ministério apostólico do bispo; não há organizações católicas legítimas (escolas, obras sociais etc.), desvinculadas da Igreja que, numa arquidiocese, é governada por um arcebispo. Então, aderir a uma proposta do arcebispo é uma resposta natural de quem entende o que é a Igreja e o que é ser Igreja.
5. Qual a principal mensagem deste dia de Corpus Christi, deve ficar para os cristãos católicos e para a sociedade como um todo?
A principal mensagem pode ser traduzida na música do 15º Congresso Eucarístico Nacional, de Florianópolis, que dizia no refrão: "Vinde e vede, vinde! Ele está no meio de nós! Ele está no meio de nós!". É um convite a cada cristão a vir e ver a presença de Cristo no meio de nós… Quem vier contemplará Jesus presente, conduzindo sua Igreja: presente no pão eucarístico; presente na Palavra de Deus, proclamada na Igreja; presente no povo reunido, congregado pela fé e o amora Deus e ao próximo; presente no presbitério unido em torno de seu arcebispo. Somos uma Igreja que caminha ao longo do tempo, preenchendo os espaços em direção ao Reino Definitivo, uma Igreja que já passou por diversas fases e momentos diferentes, mas que é a mesma Igreja fundada por Jesus e entregue nas mãos dos apóstolos. Deus continua caminhando conosco e nos conduzindo. Assim o cremos e isto proclamamos com nossa atitude de nos reunirmos no centro da cidade dos homens, proclamando o Senhorio de Jesus Cristo sobre todas as realidades. A mensagem é um convite: venham, venham todos… O Senhor nos chama, nos ama e nos envia!
Talita Salgado
Fotos : Danilo Eduardo