A Arquidiocese de Goiânia sediou, nos dias 18 e 19 de agosto, o 16º Encontro dos Bispos das Grandes Cidades, o primeiro a ser preparado e realizado como atividade oficial da programação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em parceria com o Regional Centro-Oeste. O encontro reuniu 22 bispos de 14 regiões do país para refletir sobre os desafios da vivência da fé nos grandes centros urbanos, tendo como tema “Viver a Fé nas Grandes Cidades: Iniciação à Vida Cristã e Pequenas Comunidades”.
Após passar por diversas dioceses, a edição de 2025, realizada em Curitiba, trouxe a proposta de integrar definitivamente o encontro ao calendário da CNBB, sugerindo Goiânia como a primeira sede dessa nova fase. “Nós aceitamos esse desafio, esse compromisso, e foi o primeiro encontro a ser preparado, com a participação do Secretariado-Geral da CNBB e da arquidiocese que estava para sediar o encontro. A cidade ou diocese que é sede reúne suas principais forças. Aqui reunimos a Secretaria para a Comunicação, o Seminário Interdiocesano, a Pontifícia Universidade Católica de Goiás e o Vicariato para a Evangelização, para que, em diálogo com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, o encontro pudesse ser organizado”, explicou Dom João Justino, arcebispo de Goiânia.
Da Arquidiocese de Goiânia, participaram o padre Luiz Henrique Brandão, membro do Conselho Presbiteral e do Colégio dos Consultores, que assessorou o encontro no período da manhã do primeiro dia; o padre Maximiliano Costa, vigário episcopal do Vicariato para a Evangelização, que assessorou a programação no período da tarde do primeiro dia; e o padre David Pereira, vigário episcopal do Vicariato para a Educação, que assessorou a apresentação do segundo dia. Participaram ainda a professora Priscila Valverde, vice-reitora da PUC Goiás, e a professora Rosemary Francisca Neves, pró-reitora de Extensão e Apoio Estudantil (Proex) da PUC Goiás.

Também participaram do encontro o padre Tiago Ávila Camargo, subsecretário adjunto de Pastoral da CNBB, e o padre Eduardo Luiz de Rezende, secretário executivo do Regional Centro-Oeste.
A programação combinou exposições temáticas, momentos de oração e celebrações eucarísticas, além de reflexões e partilhas em pequenos grupos. A proposta foi favorecer o diálogo, a troca de experiências e a busca conjunta por caminhos pastorais diante dos desafios enfrentados pela Igreja nas grandes cidades.
Primeiro dia: iniciação à vida cristã e desafios urbanos
O encontro teve início com um momento de oração e acolhida, conduzido pelo arcebispo de Goiânia, Dom João Justino. Na abertura, o arcebispo apresentou um breve histórico da iniciativa, que teve início em 2011, a partir de uma proposta do então arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, acolhida pelo então arcebispo de São Paulo, Cardeal Dom Odilo Scherer.
Dando início às reflexões do encontro, Dom Waldemar Passini Dalbello, da Diocese de Anápolis (GO), abordou o tema “Iniciação à Vida Cristã e Formação de Pequenas Comunidades”. A reflexão esteve diretamente relacionada à proposta central do encontro, que busca identificar caminhos para fortalecer a vivência da fé e a formação de comunidades cristãs nos grandes centros urbanos.
Sobre a necessidade de fortalecer a ação evangelizadora nesse contexto, Dom Waldemar afirmou: “Os bispos contemplam o grande desafio da evangelização das grandes cidades. Então nós, também com os nossos padres e líderes católicos, todos estamos atentos a como qualificar a vida cristã nas comunidades, como ir ao encontro dos anseios das pessoas do nosso tempo”.
Na sequência, os participantes se reuniram em pequenos grupos para refletir sobre o tema apresentado. Ao retornarem dos grupos, compartilharam as reflexões realizadas, encerrando a programação da manhã. Dom Zanoni Demettino, da Arquidiocese de Feira de Santana, destacou a importância desse momento de escuta: “Esse momento tem sido valioso, partilhando as experiências, compreendendo essa necessidade de uma conversão pastoral, missionária, sinodal, como nos pedia e nos pede a Igreja, o Papa Francisco, o Papa Leão, é fundamental”.
Na parte da tarde, a segunda reflexão do encontro foi conduzida por Dom Joel Portella Amado, da Diocese de Petrópolis (RJ), que abordou o tema “Viver a Fé na Grande Cidade”. Ele refletiu sobre os desafios que a cultura das grandes cidades impõe à ação pastoral e à presença efetiva da Igreja. “Nesse encontro, uma das finalidades é compreender, conhecer e refletir sobre experiências pastorais concretas. Foram trazidas duas experiências, a experiência da iniciação à vida cristã e a experiência das pequenas comunidades. Nesse conjunto, eu procurei refletir o que hoje a Igreja compreende como pastoral urbana, em especial nas grandes cidades”, explicou.
Após a exposição, os bispos se reuniram em pequenos grupos para refletir sobre duas perguntas propostas por Dom Joel. As reflexões permitiram identificar alguns desafios relacionados às características da pessoa urbana e à vivência da fé nos grandes centros. Entre eles, destacaram-se a dificuldade de manter a experiência de oração em família e as diferentes rotinas profissionais dos fiéis, que, em muitos casos, dificultam a participação na vida comunitária.
À noite, os bispos celebraram a Eucaristia na Paróquia Universitária São João Evangelista, em Goiânia. Durante a homilia, o cardeal Dom Jaime Spengler, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e arcebispo metropolitano de Porto Alegre, refletiu sobre a importância de cultivar a humildade e a atenção às próprias atitudes, especialmente diante dos desafios da vida pessoal e profissional. O cardeal chamou a atenção para o risco de atitudes marcadas pelo orgulho, pela soberba e pela sensação de autossuficiência, que podem comprometer a empatia, a compaixão e o reconhecimento das fragilidades humanas.
“Essas atitudes levam a pessoa a perder o senso de empatia, de compaixão e a capacidade de reconhecer as fragilidades humanas. A pessoa que perde o senso de humanidade, tornando-se cega em torno de si mesma, afasta a graça do Reino de Deus. O que nos aproxima do Reino é o cultivo da gratuidade. Nós não nos pertencemos, pertencemos Àquele que nos permite viver. Daí a importância da Palavra, da Iniciação à Vida Cristã e da comunidade de fé”, afirmou, fazendo referência ao tema discutido durante o primeiro dia do encontro.

Segundo dia: experiências de comunidades
No segundo dia do encontro, os bispos participaram da Celebração Eucarística na Capela do Seminário Propedêutico. O espaço possui iconografia preparada especificamente sob a perspectiva da iniciação à vida cristã. Durante a visita, o reitor lembrou aos bispos presentes que todo o projeto formativo do Seminário Propedêutico também é guiado por essa inspiração catecumenal.
Na sequência, Dom Andherson Franklin Lustosa, bispo auxiliar da Arquidiocese de Vitória (ES), compartilhou com os participantes uma experiência desenvolvida pelo Regional Leste 3 da CNBB, fruto do desejo de aproximar a ação pastoral da realidade vivida pela população. “A Arquidiocese de Vitória e as demais dioceses do Estado, com esse desejo, chamaram um grupo de especialistas que nos ajudou a elaborar, a partir dos dados do Censo de 2000, 2010 e 2022, um quadro panorâmico da experiência religiosa no Estado do Espírito Santo. Algo bastante fecundo, que dialoga com a nossa presença eclesial, nossas paróquias e comunidades eclesiais de base”.
Ao fazer uma síntese do encontro, o presidente da CNBB, Dom Jaime Spengler, destacou a importância desses momentos de diálogo e escuta entre os bispos, especialmente diante dos desafios da evangelização nas grandes cidades.
“Um momento privilegiado de encontro, de diálogo, de troca de experiências. E isso nós não podemos perder entre nós, essa dimensão de nos escutarmos e, a partir da escuta recíproca, encontrar indicações viáveis para levar adiante aquilo que Jesus pede dos discípulos de todos os tempos.”

Breve histórico
O Encontro dos Bispos das Grandes Cidades nasceu em 2011, a partir da constatação da necessidade de fortalecer a presença evangelizadora da Igreja nas grandes metrópoles. Inicialmente, a iniciativa reuniu os bispos das Arquidioceses do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Ao longo dos anos, o encontro foi interrompido em duas ocasiões. A primeira ocorreu em razão da realização da Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro. Posteriormente, a pandemia de Covid-19 também levou à suspensão do evento.
Após a realização de várias edições, Dom Orani propôs que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) assumisse a organização do encontro. A edição deste ano, realizada em Goiânia, é a primeira a ser promovida pela CNBB, marcando uma nova etapa na trajetória da iniciativa.
Informações: Secretaria para a Comunicação da Arquidiocese de Goiânia (Secom)
Fotos: Rudger Remígio
