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Lectio Divina 2026

Lectio Divina 2026

LECTIO DIVINA 2026 Leitura orante e vivencial da Palavra de Deus Indicações práticas   Aos nossos amados Pastores:   Como

LECTIO DIVINA 2026

Leitura orante e vivencial da Palavra de Deus

 

Indicações práticas

 

Aos nossos amados Pastores:

 

Como ministros da Palavra, todos somos convocados a aprofundá-la, buscando cultivar uma ciência exaurida e empenho na leitura e meditação da Sagrada Escritura (PO, 4.19). Sintamo-nos os primeiros responsáveis pelo brilho da Palavra, a “fonte de vida” e “alma” de toda ação evangelizadora da Igreja (DAp, 247), divulgando, facilitando o acesso e participando dessa forte prática quaresmal que se tornou bonita marca de nossa Igreja Arquidiocesana. Os senhores são parte dessa história! Desde já, agradecemos pela boa recepção da proposta.

 

 

Aos responsáveis pela organização:

 

Os(as) jovens de nossa Arquidiocese têm um legado inquestionável nos encontros comunitários de Lectio Divina, desde 2007 realizados na Paróquia Universitária São João Evangelista, depois nos Vicariatos (2024) e, agora, em nossas comunidades paroquiais. Mas ela não atrai apenas jovens de idade, também os de coração, alargando sua tenda para toda pessoa que deseja saborear a Palavra (Is 54,2; Jr 15,16). O bom êxito depende da boa articulação. É necessário que haja uma equipe responsável, que se leia e conheça essa proposta de subsídio, que se distribua funções de animador(a), leitores(as) e, se possível, de ambientação, música, acolhida, artes, para que o momento seja mais consciente, participativo e frutuoso. A Lectio Divina é experiência de muita simplicidade, contemplação da Palavra, da voz de Deus que se faz “leve brisa” (1Rs 19,12). O silêncio e a sobriedade são a forma onde o Deus invisível se faz visível e palpável em nosso meio. É importante motivar o povo a trazer a Bíblia e a consultar o texto diretamente na fonte: “Queridos jovens, exorto-vos a adquirir familiaridade com a Bíblia, a conservá-la ao alcance da mão, a fim de que seja para vós uma bússola que indique o caminho a seguir. Lendo-a, aprendereis a conhecer Cristo” (Bento XVI, JMJ 2006).

 

 

Aos animadores e leitores:

 

Conheça o texto, prepare-se bem e antecipadamente. Veja aonde você ficará posicionado no dia e local do encontro. Para isso, combine com a equipe de organização e com os demais leitores(as). Não tenha pressa na leitura, leia suave, pausadamente e com boa dicção, como o jovem profeta Jeremias que foi a “boca de Deus” para a comunidade (Jr 15,19), ou como os santos, que não deixavam escapar nenhuma sílaba ou ponto desse rico alimento espiritual.

 

Entre as muitas formas de se aproximar da Sagrada Escritura existe uma privilegiada à qual todos somos convidados: a Lectio divina ou exercício de leitura orante da Sagrada Escritura. Essa leitura orante, bem praticada, conduz ao encontro com Jesus-Mestre, ao conhecimento do mistério de Jesus-Messias, à comunhão com Jesus-Filho de Deus e ao testemunho de Jesus-Senhor do universo.

(Documento de Aparecida, 249).

 

1º Encontro

Leitura Orante de Mateus 4,1-11

 

Com Jesus aprendemos a vencer as tentações

 

  1. Leitura (Lectio)

O que o texto diz?

 

Leitor(a): Um jovem proclama o texto de Mt 4,1-11.

 

Refrão meditativo: “Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4).

 

Animador: Depois de ser batizado (Mt 3,13-17), Jesus é conduzido pelo Espírito ao deserto, onde jejua por quarenta dias e enfrenta três tentações. O povo de Israel também enfrentou tentações na travessia do deserto. O deserto é o lugar das provações e das tentações, mas é também o lugar do amadurecimento da fé e do crescimento espiritual.

 

Mateus narra três tentações vividas por Jesus no deserto. Nas duas primeiras, Jesus é tentado quanto à sua condição de Filho de Deus (“se tu és filho de Deus”…) e ao modo de viver o seu messianismo (que não era triunfalista e político, na busca do poder sobre os reinos deste mundo).

 

Transformar pedras em pão: A tentação de usar o poder divino para satisfazer necessidades imediatas. Jesus responde com Deuteronômio 8,3, afirmando que a vida verdadeira vem da Palavra de Deus, não apenas do alimento físico.

 

Lançar-se do pináculo do Templo: A tentação de manipular Deus, buscando segurança e espetáculo. O Diabo cita o Salmo 91 fora de contexto, mas Jesus responde com Deuteronômio 6,16: “Não tentarás o Senhor teu Deus”.

 

Adorar o diabo em troca dos reinos do mundo: A tentação do poder e da glória mundana. Jesus rejeita com firmeza, citando Deuteronômio 6,13: “Ao Senhor teu Deus adorarás e só a Ele prestarás culto”.

 

Jesus refaz o caminho do povo de Israel no deserto, mas onde Israel caiu, Ele permanece fiel. Ele é o novo Adão, o novo Israel, que vence a tentação não com força física, mas com a fidelidade à Palavra. Jesus se comporta como Filho obediente à Palavra, ou seja, é fiel à sua identidade batismal: o filho amado, no qual o Pai põe o seu agrado, justamente por ser obediente à vontade do Pai.

 

Momento de silêncio (reler pessoalmente o texto).

 

 

 

 

  1. Meditação (Meditatio)

O que Deus me diz através do texto?

 

Refrão meditativo: “Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4).

 

Animador: A Quaresma é um tempo de deserto interior, onde somos convidados a confrontar nossas tentações mais profundas. Todos nós experimentamos momentos de deserto em nossa vida. Como me comporto nos momentos de deserto? Deixo-me guiar pelo Espírito Santo e pela escuta da Palavra de Deus? Ou nos momentos de deserto, distancio-me de Deus e tento enfrentar sozinho as tentações?

 

Para os jovens, isso pode significar:

 

A tentação do prazer: buscar o prazer e a satisfação instantânea, sem considerar as consequências. Não saber lidar com os momentos de privação ou alguma dificuldade. Esta busca imediata do prazer não se reflete apenas no hedonismo (a busca do prazer pelo prazer), mas na busca de tudo aquilo que anestesia a dor e o sofrimento. Nesse acaso acontece a busca por entorpecentes e o abuso do álcool, visando fugir dos problemas e das responsabilidades. Muitos vivem fugindo dos problemas, exagerando na busca de compensações falsas, sem pensar nas consequências para a própria vida e para a vida dos outros. Jesus nos ensina a esperar, a confiar no tempo de Deus, vivendo da sua Palavra.

 

A tentação do poder sobre Deus: Jesus não prova sua filiação divina jogando-se do pináculo do Templo para exigir que Deus envie seus anjos para protegê-lo. Isso seria um grande espetáculo miraculoso. Seria um caminho fácil para convencer as pessoas de que ele era o Filho de Deus. Jesus não faz nenhum milagre espetaculoso em causa própria. Na cruz será tentado a fazer o mesmo, quando lhe pedem para descer da cruz, já que era o Filho de Deus. Jesus também não desce da cruz. Ele manifesta ser o messias Filho de Deus pelo amor obediente ao Pai. Assim, Ele nos ensina que não podemos tentar Deus, no sentido de querer manipulá-lo exigindo milagres e ações extraordinárias para crermos Nele. Às vezes o ser humano é tentado a manipular Deus e de achar que pode controlar a ação de Deus, determinando e estabelecendo até mesmo a hora dele agir. Jesus nos ensina a fazer a vontade de Deus e não querer que Deus faça a nossa vontade, cultivando uma vida de oração marcada pelos nossos interesses e necessidades imediatas. Ninguém tem o poder de controlar Deus. Às vezes, essa tentação se manifesta no desejo do poder também sobre as pessoas e sobre as diversas situações que fogem do nosso controle. A tentação do poder pelo poder pode levar o ser humano a usar até meios ilícitos, prejudicando os outros.

 

A tentação da idolatria do ter: na terceira tentação, o tentador quer dar a Jesus os reinos deste mundo, submetendo-se à idolatria diante do próprio Diabo. Jesus responde novamente com a Escritura: “Adorarás somente ao Senhor teu Deus e somente a ele prestarás culto” (Dt 6,13). Quando Deus não é o Senhor da nossa vida, quando não o adoramos, caímos na tentação da idolatria, colocando nossa segurança na estabilidade econômica, no possuir muitos bens materiais. Enfim, corremos o risco de endeusar as criaturas e esquecer de adorar o Criador. Onde estamos colocando a nossa segurança? É muito fácil cair na idolatria do ter, quando não deixamos Deus ser Deus em nossa vida. Isso acontece, quando achamos que podemos ser felizes sem Deus e acabamos caindo no vazio de sentido diante das dificuldades e frustrações da vida. Quando caímos na tentação da idolatria do ter, qualquer provação pode nos levar a perder o sentido vida, pois nenhum bem deste mundo é fonte da nossa vida. Só em Deus, autor da vida, encontramos o sentido da verdadeira vida, pois tudo passa neste mundo e só o amor de Deus permanece. Portanto, Jesus nos ensina a adorar somente a Deus, colocar somente em Deus a nossa segurança e esperança. Não somos donos de nada, devemos usar os bens do mundo, sem nos escravizar por eles. Jesus nos ensina a adorar somente a Deus e assim sermos livres para amar e servir uns aos outros.

 

Reflexão pessoal:

 

  • Tenho alimentado minha vida com a Palavra de Deus ou com “pães” que não saciam?
  • Em que momentos tento manipular Deus? Vivo sob o poder de Deus para melhor servir ou quero ter certo poder/controle sobre Deus e sobre as pessoas?
  • Que tipo de idolatria e falsas seguranças me seduzem e me afastam de Deus e dos irmãos e irmãs?

 

Momento de silêncio…

 

 

  1. Oração (Oratio)

O que respondo a Deus?

 

Animador: (concluir juntos com esta oração)

 

Senhor Jesus, Vós conheceis o deserto do meu coração, as minhas lutas, dúvidas e tentações. Ensinai-me a escutar a vossa Palavra e a confiar no vosso amor. Dai-me coragem para dizer “não” ao que me afasta de Vós e “sim” ao vosso projeto de vida. Que nesta Quaresma eu caminhe convosco, aprendendo a vencer o mal com o bem, e a escolher sempre o que me aproxima de Vós. Quero adorar somente a Vós e aprender convosco a amar e servir. Amém.

 

 

  1. Contemplação (Contemplatio)

Como vejo a minha vida e a realidade à luz da Palavra de Deus?

 

Refrão Meditativo: “Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4).

 

Feche os olhos. Respire profundamente. Imagine-se no deserto com Jesus. Sinta o calor, o vento, a solidão. Ouça o silêncio. Perceba que, mesmo ali, Deus está presente.

 

O que o texto ilumina a fazer? (implicações práticas para a vida).

 

  • Deixe ressoar no seu coração a resposta de Jesus: “Nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”. Permaneça alguns minutos em silêncio, repetindo essa frase como uma oração do coração. Deixe que ela se torne alimento para sua alma.

 

  • Procure ver a sua vida à luz desta Palavra. Tenho me comportado como Filho(a) amado(a) na obediência a Deus? Quais tentações têm me afastado do caminho de Jesus? Consigo ver as mesmas tentações de Jesus na minha comunidade? Como tenho lidado com as tentações?

 

  • Discernir as vozes que escuto: nem tudo o que parece bom vem de Deus. A tentação muitas vezes se disfarça de luz. Aprender a discernir é essencial para viver com liberdade interior.

 

Assumir práticas quaresmais com sentido:

 

  • Jejum: não apenas de comida, mas de tudo que me escraviza (vícios, consumismo, distrações…).
  • Oração: reservar tempo diário para estar com Deus, mesmo que em silêncio.
  • Caridade: praticar gestos concretos de amor, especialmente com quem mais precisa.

 

Testemunhar com autenticidade: ser jovem cristão hoje é nadar contra a corrente. É dizer “não” ao que desumaniza e “sim” ao Evangelho. É viver com coerência, mesmo quando ninguém está olhando.

 

Compromisso quaresmal: escolha uma tentação concreta que você enfrenta. Nomeie-a. Reze sobre ela. E, com a força da Palavra, dê um passo concreto para vencê-la nesta semana.

 

Momento de Silêncio…

 

Refrão Meditativo: “Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4).

 

Reza-se o Pai Nosso para concluir a Lectio Divina.

 

 

MOMENTO DE ADORAÇÃO E BÊNÇÃO DO SANTÍSSIMO

 

  • Canto para exposição do Santíssimo
  • Adoração e Bênção.

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