“A Novena deve nos mover a recordar uma realidade nova. É Cristo que volta. Essa Cristologia deve nos fazer voltar para as nossas vidas, para a realidade concreta do mundo, e perceber Cristo como uma resposta total, completa, inteira” (Padre Antônio Donizeth)
As Novenas de Natal já chegaram. O material organizado e produzido pela Arquidiocese de Goiânia já está disponível para as paróquias e comunidades. Por isso, a Reunião Mensal de Pastoral de outubro, realizada no último dia 28, apresentou o livreto da Novena. Coube ao coordenador arquidiocesano de Liturgia e Arte Sacra, padre Antônio Donizeth do Nascimento, explicar o que é novena; auxiliar no ensaio dos cantos de Natal e distinguir os elementos da oração cristã.
Um questionamento do padre Antônio foi com relação ao sentido da Novena de Natal. “A Novena prepara, mas não antecipa a festa”, explicou. Seguindo o conteúdo do livreto da Novena, ele orientou: “Cuidado para não ficar, em todos os encontros, já no clima do Natal, como faz o comércio”. O sacerdote alertou ainda para a “concorrência desleal” do comércio com a Novena. “O comércio nos fez antecipar o encontro com os símbolos. Já estamos com a cidade sendo toda decorada. Árvores de Natal, luzes, Jesus já nascido, e mais: o presépio foi substituído pelo Papai Noel, o menino Jesus foi substituído pelo pacote de presente, a Sagrada Família pela árvore de Natal”, destacou.
Em sua exposição, padre Antônio provocou os participantes da Reunião Mensal a educar nossas crianças para o sentido do Natal. “As crianças só serão atraídas pelo verdadeiro espírito natalino se nós as educarmos para a dimensão da fé que se utiliza dos recursos iconográficos das imagens, dos símbolos. Caso contrário, a vitrine dos shoppings sempre irá se sobressair”. Segundo o padre, o problema é que nós deixamos o comércio domesticar os sentidos das crianças desde cedo. “Temos que descobrir a técnica de educação dos sentidos, e isso passa pela montagem dos presépios também. A preparação é muito decisiva para a forma como a gente vai celebrar a festa à altura do que ela é. É fundamental ainda a relação que se estabelece com o dono da festa”, enfatizou.
Por fim, ele orientou a preservarmos a identidade da liturgia. Segundo o padre, muitas comunidades inserem diversos elementos que são externos à liturgia, embora possam ser simpáticos e agradáveis aos corações. O papel da Novena, conforme o coordenador de Liturgia, é, de modo fundamental, garantir a lâmpada acesa da nossa fé nos escombros das nossas vidas. “A Novena foi preparada pensando nisso, apresentando pistas nessa linha, para a gente rezar. A nossa novena católica tem essa identidade. Ela não é uma mandinga ou superstição para amarrar o santo. Em nove dias, o Espírito Santo move a Igreja em oração, e em nove dias ela se reconstrói, a família se reconstrói, nossa aliança com Deus muda. O texto bíblico que inspira tudo isso é o livro do Profeta Ageu, que ajuda a gente a identificar o significado da oração, da Novena, pós todo o mistério da vinda de Jesus”, completou.

































