>
>
5 Anos de Pontificado

5 Anos de Pontificado

Grandes temas que marcam o papado de Francisco

O papa da Igreja em saída, da misericórdia e do encontro

Quando o papa Francisco tomou posse da Cátedra de São Pedro, em 19 de março de 2013, ele destacou, em sua primeira homilia, a figura de São José, Patrono da Igreja, celebrado naquele dia, como homem que Deus confiou o ofício de guardião de Maria e de Jesus, tarefa que depois se alargou à Igreja. Ao explicar sobre esse múnus, ele usou palavras do seu predecessor, São João Paulo II: “São José, assim como cuidou com amor de Maria e se dedicou com empenho jubiloso à educação de Jesus Cristo, assim também guarda e protege o seu Corpo místico, a Igreja, da qual a Virgem Santíssima é figura e modelo” (Exort. Ap. Redemptoris Custos, 1).

Ainda naquela homilia, o novo pontífice falou sobre uma dimensão do poder que surpreendeu a todos ali presentes e aqueles que acompanharam a posse pelos meios de comunicação em todo o mundo. “O verdadeiro poder é o serviço”, enfatizou Francisco. Em seguida, ele concluiu sua homilia com as seguintes palavras: “Guardar Jesus com Maria, guardar a criação inteira, guardar toda a pessoa, especialmente a mais pobre, guardarmo-nos a nós mesmos: eis um serviço que o Bispo de Roma está chamado a cumprir, mas para o qual todos nós estamos chamados, fazendo resplandecer a estrela da esperança. Guardemos com amor aquilo que Deus nos deu!”.

Cinco anos depois, muito se fala sobre o atual papado. Alguns já estudam os “Grandes temas do pontificado do papa Francisco”, como o faz João Décio Passos, livre-docente em Teologia, professor da PUC-SP e do ITESP, membro da equipe de reflexão da Comissão Episcopal para o laicato da CNBB. Esse estudioso aponta os temas “Igreja em saída”; “A volta às fontes: o coração do Evangelho”; e “O Imperativo da Misericórdia”, como pontos de destaque do papado de Francisco. Para além desses temas, no entanto, apresentamos, nesta reportagem, como notórios, muitas curiosidades e números relevantes.

Francisco

No mesmo ano em que foi eleito papa, Francisco explicou por que escolheu esse nome para o seu pontificado, em encontro com os jornalistas. Segundo ele, quando a contagem dos votos no último Conclave já passava de 2/3 e os cardeais já sabiam que ele seria o novo papa, o arcebispo emérito de São Paulo, cardeal Cláudio Hummes, que esteve ao seu lado durante todo o evento, o abraçou, o beijou e lhe disse: “Não se esqueça dos pobres”. Daí Jorge Bergoglio pensou em São Francisco de Assis e escolheu o nome desse santo por ser ele considerado “o homem da pobreza, da paz, que ama e guarda a criação”, conforme palavras do próprio Francisco, o 266º papa da Igreja Católica.

Catequeses

Desde aquela primeira audiência geral, no dia 27 de março de 2013, em que refletiu sobre a Semana Santa, “que significa entrar cada vez mais na lógica de Deus, na lógica da Cruz, que não é em primeiro lugar a da dor e da morte, mas do amor e do dom de si que dá vida” (Catequese, 27/03/13), Francisco orientou catequeses sobre os mais diversos temas, desde a criação e o cuidado com a natureza; a preocupação com os pobres; a vida de oração; até aspectos da misericórdia; o sentido do Credo; da Oração do Pai Nosso; sobre a Igreja: “iniciativa de Deus, o qual quer formar um povo que leve a sua Bênção a todos os povos da terra”; e, atualmente, sobre a missa, em que ele explica parte a parte a celebração eucarística.

Viagens apostólicas

Ano passado, o vaticanista e jornalista do diário La Stampa, Andrea Tornielli, responsável pela página Vatican Insider e colaborador em várias revistas italianas e internacionais, publicou o livro As viagens de Francisco – conversas com Sua Santidade – editora Planeta. Na publicação, diário de viagem que retrata o papa e seu trabalho de evangelização, Tornielli faz um apanhado das principais viagens que o pontífice fez, destacando curiosidades e anedotas. O livro começa com a primeira viagem internacional de Francisco, que foi justamente ao Brasil, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude em 2013. Segundo o autor, o papa aceitou vir ao nosso país, compromisso que já tinha sido assumido pelo papa emérito Bento XVI, contanto que ele não tivesse que entrar em uma “lata de sardinhas para cumprimentar o povo”. A lata que o Santo Padre se referia era o papamóvel, um blindado totalmente fechado com vidros de 5cm de espessura. E em todas as outras viagens apostólicas foi assim. Francisco sempre se utilizou de veículos utilitários, simples e abertos. Ao todo, já foram visitados 26 países. Neste ano, ele visitou o Chile e Peru, e deverá ir ainda à Irlanda e Romênia. Para 2019, está agenda a 34ª Jornada Mundial da Juventude, no Panamá.

Publicações

Até o momento, Francisco já escreveu duas cartas encíclicas, Lumen Fidei (Luz da Fé), que destaca Jesus como luz que veio ao mundo, para que todo o que crê nele não fique nas trevas (cf. Jo 12,46), e Laudato Si’ – Louvado seja – sobre o cuidado da casa comum. Esta última, de 2015, teve repercussão para além dos muros da Igreja, pois sua essência revela a espiritualidade franciscana. Entre as publicações de Francisco, destaca-se também a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (A alegria do Evangelho) – sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual (2013), fundamentada no ardor missionário de uma Igreja em saída, que evangeliza aqueles que não conhecem a Cristo. Já a Exortação Apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia – sobre o amor na família (2016), parte das inúmeras análises feitas durante os dois Sínodos sobre a família, das situações das estruturas familiares no mundo atual e, por isso, o documento alarga a perspectiva da Igreja sobre esse importante pilar da vida cristã. Amoris Laetitia reaviva a importância do matrimônio e da família. Com lançamento mundial marcado para o dia 20 de março, o novo livro-revista do papa Francisco, “Deus é jovem” dirige-se aos jovens do mundo inteiro, e com firmeza e paixão, analisa os grandes temas da atualidade. O livro é resultado de uma conversa com o jornalista Thomas Leoncini.

Posicionamentos

Entre os posicionamentos do papa Francisco, pode-se destacar aquele sobre o perdão da Igreja às mulheres que abortaram. Por meio da Carta Apostólica Misericordia et Misera, ele concedeu a todos os sacerdotes a faculdade de absolver a todas que incorreram ao pecado do aborto, porém, ele deixou clara que essa postura não rompe com a posição da Igreja Católica sobre a interrupção da gravidez. Mas sua atitude abriu possibilidade para o acolhimento. Outra posição de Francisco que teve bastante repercussão foi sobre o compromisso de campanha do então candidato à presidência dos Estados Unidos da América, Donald Trump, em 2016, quando este afirmou que, caso ganhasse as eleições, daria continuidade e concluiria o muro entre Estados Unidos e México e deportaria milhares de imigrantes ilegais de seu país. O papa, sobre isso, disse que o mundo precisa de pontes, e não de muros. Francisco também tem se posicionado constantemente sobre os imigrantes e refugiados. Na primeira missa presidida por ele neste ano, o pontífice aconselhou as pessoas a abandonar a bagagem inútil, o que chamou de conversa vazia e consumismo banal, e se concentrar em construir um mundo pacífico e acolhedor, particularmente para refugiados e imigrantes.

Ano da Misericórdia

Quando convocou o Ano Santo da Misericórdia (2015-2016), o papa Francisco explicou: “A Igreja é chamada, neste tempo de grandes mudanças, a oferecer mais vigorosamente os sinais da presença e proximidade de Deus. É o tempo para permanecermos vigilantes”. O Jubileu começou em 8 de dezembro de 2015, Festa da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, e se estendeu até 20 de novembro de 2016, Festa de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. A abertura da Porta Santa na Basílica de São Pedro, e a concessão de aberturas de Portas Santas, pela primeira vez nas dioceses do mundo inteiro, por seus respectivos bispos, tornou mais próximo de todo o povo de Deus esse tempo de graça em que a Igreja celebrava o cinquentenário do Concílio Vaticano II, para fazer memória desse grande acontecimento. O Ano nos fez lembrar que, “nos nossos dias, a Esposa de Cristo prefere usar mais o remédio da misericórdia que o da severidade e deseja mostrar-se mãe amorosa de todos, benigna, paciente, cheia de misericórdia e bondade com os filhos dela”.

24 horas para o Senhor

A iniciativa 24 horas para o Senhor, criada pela Santa Sé, acontece todos os anos, desde 2013, para ser vivida em caráter mundial nas dioceses, já que incentiva a promoção de momentos de oração e de confissão, de anúncio do Evangelho e de vigília, que ajudem a viver a Quaresma, preparando para a Páscoa. A proposta é que as igrejas fiquem abertas durante 24 horas para que os fiéis possam participar do Sacramento da Reconciliação. “Desejo que, inclusive neste ano, o momento privilegiado de graça, do caminho quaresmal, seja vivido em tantas igrejas para que possam experimentar o encontro alegre com a misericórdia do Pai, que todos acolhe e perdoa”, disse Francisco. Nesta quinta edição da iniciativa, o papa também encontrou os Missionários da Misericórdia, que, por desejo do próprio Santo Padre, continuam com sua missão de levar o Sacramento da Reconciliação aos cinco continentes, dois anos após o Jubileu da Misericórdia. Na Itália, a iniciativa chegou também às prisões, graças à disponibilidade dos capelães, como antecipou à Agência Sir o presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, o arcebispo Rino Fisichella.

Canonizações

Das várias canonizações já realizadas pelo papa Francisco, nos cinco anos do seu pontificado, certamente três foram aquelas que mais chamaram a atenção do mundo. São elas a dos papas João XXIII e João Paulo II, e da freira fundadora das Missionárias da Caridade, Madre Teresa de Calcutá. Das duas primeiras, cerca de 800 mil participaram da celebração, a primeira a ser transmitida em tecnologia 3D e em cinemas para diversos países no mundo, incluindo o Brasil. Em outubro do ano passado, ele também canonizou 30 mártires brasileiros do Rio Grande do Norte. O grupo, que inclui 27 leigos, inclusive três crianças, dois padres diocesanos e um camponês, foi assassinado por holandeses calvinistas em 1645. Para este ano, Francisco deve canonizar mais um papa: Paulo VI, líder da Igreja Católica nos anos de 1960 a 1970, um dos períodos mais turbulentos da história contemporânea. Ele foi beatificado em 2014.

Dia de Oração e Jejum pela Paz

No dia 23 de fevereiro, aconteceu o Dia de Oração e Jejum pela Paz, proposto pelo papa Francisco. O objetivo foi levar todo o povo a pedir a Deus o dom da paz, especialmente para a República Democrática do Congo e Sudão do Sul. “Diante da trágica persistência de situações de conflito em diversos lugares do mundo, convido todos os fiéis a um Dia especial de oração e jejum pela paz, no próximo 23 de fevereiro, sexta-feira da primeira semana de Quaresma”. Com essas palavras, Francisco anunciou um Dia de oração e jejum pela paz durante a oração do Ângelus do dia 4 de fevereiro. O papa acrescentou: “oferecemo-lo em particular pelas populações da República Democrática do Congo e do Sudão do Sul. Como noutras ocasiões semelhantes, convido também os irmãos e as irmãs não católicos e não cristãos a associarem-se a essa iniciativa nas modalidades que considerarem oportunas, mas todos juntos”. Foi um dia especial em que a Igreja em todo o mundo se uniu em jejum e oração, a exemplo do ano passado, em que ele convocou para o “Um minuto de oração pela paz”.

Sínodo sobre a Família

Não um, mas dois sínodos quis o papa sobre a família, “luz nas trevas do mundo”. O primeiro, extraordinário, realizado no Vaticano, de 5 a 19 de outubro de 2014, com o tema “Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização”; o segundo, ordinário, um ano depois, de 4 a 25 de outubro de 2015, sobre “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”. Ao todo, foram cerca de 5 semanas que envolveram bispos e sacerdotes, religiosos e religiosas, e casais na qualidade de peritos ou auditores. Embora a mídia tenha dirigido seu foco apenas para a comunhão para divorciados em segundas união, o olhar do sínodo abraçou muito mais: da beleza e força do testemunho de muitas famílias no mundo à valorização da mulher; da importância dos avós à tutela das crianças e dos doentes; das ameaças do fanatismo, individualismo e do gênero, homossexualismo, insegurança no trabalho, entre outros.

Sínodo sobre a Juventude

Com o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”, nos dias 3 a 28 de outubro deste ano, acontecerá, em Roma, a XV Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos. A iniciativa permitirá aos jovens expressar seus desejos, as suas incertezas e as suas expectativas. Ainda que participem das sessões os Padres Sinodais que depois do fórum debaterão e darão um documento no final da Assembleia, a Santa Sé está ouvindo os jovens. Por isso, disponibilizou um questionário on-line que já foi respondido por mais de 65 mil jovens. Outros 3 mil se cadastraram via e-mail desejando ser informados sobre o evento. Destes, a maioria deixou uma reflexão, um pensamento, um agradecimento ou uma crítica. Há também um Documento Preparatório, além de perfis nas redes sociais, e foi realizado um Seminário Internacional no ano passado, que tratou da situação dos jovens. Continuando o processo de escuta, nos próximos dias 19 a 24 de março, acontecerá a reunião pré-sinodal, em Roma, que contará com a participação de 315 jovens, sendo cinco brasileiros.

Reforma da Comunicação do Vaticano

Em entrevista ao Jornal O São Paulo, da Arquidiocese de São Paulo, monsenhor Dario Edoardo Viganò, prefeito da Secretaria para a Comunicação do Vaticano, afirmou que a reforma das estruturas de comunicação da Santa Sé é uma resposta às transformações encabeçadas principalmente pelas tecnologias da informação. Monsenhor Dario nasceu no Rio de Janeiro, pois seus pais passaram dez anos no Brasil, mas ele tem cidadania italiana. As reformas conduzidas por ele, a pedido de Francisco, unificaram os vários departamentos de comunicação do papa, como a Rádio Vaticano, o jornal L’Osservatore Romano, o CTV, a Sala de Imprensa, os sites e aplicativos. O monsenhor explicou que uma única central de informações permitirá um melhor “fluxo” das notícias, uma presença multimídia coordenada e uma simplificação das estruturas administrativas. Ousado, o sacerdote disse ainda na entrevista que aplica à Santa Sé um famoso modelo de mercado: o da Disney, mas sem perder os valores do Evangelho, com rigor e eficácia no uso do dinheiro. Aplicar mal o dinheiro da Igreja é como “roubar dos pobres”, declarou. “Não é possível usar o que as pessoas dão à caridade e aos pobres para cobrir os nossos custos.” Viganò demonstrou ainda que é necessário “transformar custos em investimentos”. Mas, no fim das contas, para ele, a comunicação deve ser fruto de um verdadeiro “deixar-se seduzir pelo Evangelho”.

 

 Fúlvio Costa

 

 

 

Compartilhe

Outras Notícias

Arquidiocese

Notícias da Arquidiocese

Notícias das Paróquias

Notícias, Notícias da Arquidiocese, Notícias das Paróquias

Notícias relacionadas

Artigos e Formação, Notícias, Palavra do Arcebispo

08 de dezembro de 2025

Notícias

02 de dezembro de 2025

Notícias da Arquidiocese

02 de dezembro de 2025

Continue navegando

Espiritualidade:

Sua experiência diária com a Palavra de Deus

Explore conteúdos que fortalecem sua caminhada e enriquecem
sua jornada de fé.

Receba as novidades da nossa Arquidiocese

Inscreva-se em nossa newsletter e fique por dentro dos avisos, eventos e mensagens especiais da Diocese.

Ir para o conteúdo