“Como a Trindade, também a comunidade cristã vive no amor que permite acolhida e doação, que une as diferenças num só coração” (Documento 100, CNBB)
Em sintonia com o Jubileu dos 300 anos do achado da imagem de Nossa Senhora Aparecida, celebrado em todo o Brasil, e com o Ano Vocacional Mariano, compromisso vivido neste ano pela Igreja presente no Regional Centro-Oeste da CNBB (Goiás e Distrito Federal), acontece, em Trindade, desde sexta-feira (23), com o tema “Maria: serva humilde e fiel ao Pai Eterno”, a tradicional festa em honra ao Divino Pai Eterno. A expectativa é de que, até o encerramento, no próximo dia 2 de julho, cerca de 2,5 milhões de romeiros passem pelo Santuário Basílica de Trindade.
O prefeito do santuário, padre Marcelino Ferreira, em entrevista ao Programa Pai Eterno, da PUC TV, veiculado no dia 19 de junho, explicou por que o tema foi escolhido. “Dentro da dinâmica do achado da imagem de Nossa Senhora Aparecida, nós estamos trabalhando na Romaria 2017 a pessoa de Maria, serva e fiel ao Divino Pai Eterno, sabendo que Deus quis assumir a humanidade usando de uma mulher simples, humilde, Maria de Nazaré, para enviar seu filho ao mundo. Ele a dotou de graça, bênçãos, pureza, concebeu-a sem pecado original para trazer o seu Filho ao mundo. Por isso, nos dias de novena, vamos conhecer melhor a pessoa de Maria na história da salvação”. Na liturgia, as orações próprias da missa também são relacionadas à Senhora, proporcionando aos romeiros uma oração participativa e orante.

É novidade também, neste ano, a junção do texto da Novena em louvor ao Divino Pai Eterno com o livro de cânticos, o que proporciona aos romeiros acompanhar, tanto participando das celebrações, como também pelos meios de comunicação que transmitem a festa.
Como de costume, a programação está repleta, com missa de hora em hora, romarias, alvoradas festivas, procissões, novenas e batizados. As confissões acontecem todos os dias, das 6h às 21h, no Santuário. A 14ª Romaria da Arquidiocese de Goiânia aconteceu neste sábado, durante o dia inteiro. O nosso arcebispo metropolitano, Dom Washington Cruz, abençoou os romeiros, às 15h30, no Trevo de Goiânia, e seguiu em peregrinação. Ele presidiu a missa às 20h. Na sexta-feira (23), a missa foi presidida pelo bispo auxiliar Dom Levi Bonatto, no mesmo horário. Dom Moacir Arantes, bispo auxiliar, preside no próximo dia 28, quarta-feira, também às 20h. O cardeal arcebispo de Brasília e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Sergio da Rocha, preside a missa de encerramento, na manhã do dia 2 de julho, às 8h, na Praça Dom Antonio Ribeiro de Oliveira.
Ao longo dos dez dias de festa, o Cineteatro Afipe, que está localizado na Praça da Igreja Matriz de Trindade (Santuário Velho), também tem programação especial, com filmes, momentos de oração e apresentações culturais. A entrada é gratuita e os ingressos devem ser retirados na bilheteria com antecedência.
História de fé e devoção ao Divino Pai Eterno

Do achado do medalhão de barro cozido pelo casal de lavradores Constatino Xavier e Ana Rosa até hoje, já se passaram 174 anos. A devoção nasce no seio familiar, reúne vizinhos, se espalha pela comunidade do antigo Barro Preto, hoje Trindade. É construída uma, duas, três capelas, até o ano de 1878. Em 1911, os Missionários Redentoristas começam a animar a devoção. A ação do Pai Eterno se fazia sentir na vida dos romeiros, vindos de diversos lugares do Brasil. Muitas pessoas visitavam o Santuário para buscar alívio para seus males, fazer preces ou pagar promessas. O referido santuário, conforme o livro Santuário Basílica do Divino Pai Eterno: história, fé, devoção, do padre Antônio Gomes, CSsR, de 2008, é conhecido hoje por Santuário velho ou Matriz de Trindade, inaugurado em 1912. A devoção, no entanto, não para de crescer e, em 1943 – cerca de cem anos depois que Constantino e sua esposa encontraram o medalhão –, o bispo de Goiás Dom Emanuel Gomes de Oliveira abençoa a pedra fundamental do atual Santuário, que hoje é conhecido no Brasil e no mundo como Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, inaugurado em 1974 com a Novena e Festa do Divino Pai Eterno.
Fúlvio Costa