O Mutirão Brasileiro de Comunicação (Muticom) é uma realização da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e segue iniciativas de conferências de comunicação existentes em diversas partes do mundo. No Brasil, o Muticom acontece desde 1998, e a cada 2 anos uma edição é realizada. As principais finalidades do evento são a reflexão, o diálogo, o aprofundamento, a troca de conhecimentos e a análise crítica, a partir de estudos e práticas de comunicação no âmbito da Igreja e da sociedade. A palavra mutirão tem significado fundamental, pois destaca a construção coletiva a partir de intervenções que brotam das diversidades socioculturais de grupos e até mesmo de experiências individuais que se somam na construção de um novo saber.
Neste ano, a 10º edição do Muticom aconteceu de 16 a 20 de agosto, na cidade de Joinville, Santa Catarina. Com o tema “Educar para a comunicação”, reuniu mais de 800 pessoas, entre elas representantes de 20 estados brasileiros e do Distrito Federal, conferencistas, palestrantes, mediadores de oficinas e as equipes de trabalho envolvidas. O coordenador desta edição foi o assessor de comunicação da Diocese de Joinville, padre Ivanor Macieski, com o respaldo de uma equipe de cerca de 150 pessoas, e o apoio total de Dom Francisco Carlos Bach, bispo de Joinville. Ele deu continuidade ao sim de Dom Irineu Roque Scherer, falecido em julho de 2016, que aceitou sediar o Muticom.
A Arquidiocese de Goiânia foi representada pelo bispo auxiliar referencial para a Comunicação na Arquidiocese, Dom Levi Bonatto; pela PUC Goiás, na pessoa da professora Adriana Rodrigues, coordenadora do curso de Publicidade e Propaganda; por membros do Vicariato para a Comunicação e da Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe).
A palestra de abertura do evento foi ministrada pelo monsenhor Dario Viganó, prefeito da Secretaria para a Comunicação da Santa Sé. Ele destacou a comunicação na Igreja, na perspectiva do papa Francisco, e o processo da Reforma da Comunicação da Santa Sé. Viganó alertou para a necessidade de a Igreja atualizar e profissionalizar a comunicação sem perder o foco da evangelização. “O contexto histórico, social e cultural são os mesmos para todos, mas precisamos relatar os fatos do mundo numa leitura cristã. Narrar e nos tornar testemunhas fascinantes para os homens de hoje. A convergência digital pede uma educação para uma nova comunicação. Poucos são nativos digitais, por isso devemos diminuir o abismo entre os que são digitais e os que não são”, ressaltou.
As manhãs do evento foram preenchidas por conferências, ministradas por Irmã Helena Corazza, padre Maurício Cruz, professor Ismar de Oliveira Soares e Ricardo Von Dorff , repórter da RBS TV. Todas as conferências permearam o tema central, que teve como base o conceito da Educomunicação, “um conjunto das ações inerentes ao planejamento e implementação de processos e produtos destinados a ampliar a capacidade de expressão de todas as pessoas num espaço educativo; melhorar o coeficiente comunicativo das ações educativas; desenvolver o espírito crítico dos usuários dos meios de comunicação; usar adequadamente os recursos da informação nas práticas educativas e criar e fortalecer ecossistemas comunicativos em espaços educativos”, de acordo com o prof. Ismar de Oliveira Soares.
Todos os dias, na parte da tarde, ocorreram simultaneamente 10 oficinas, que abordaram temas de diversas áreas da comunicação, como imprenso, assessoria, novas mídias, rádio, TV, fotografia, oratória, uso de aplicativos, culturas juvenis na ótica da educomunicação e leitura crítica dos meios de comunicação. As oficinas foram ministradas por profissionais de reconhecida competência e com vasta experiência na temática a eles atribuída. Nos intervalos foram apresentados cases, partilhas plenárias, produções visuais – como o documentário Labaca –, além de atividades musicais e culturais, como o show dos Cantores de Deus e a belíssima apresentação da Escola de Balé Bolshoi do Brasil, única filial da renomada escola fora da Rússia.
Dom Darci Nicioli ressaltou o cuidadoso trabalho de planejamento e organização do encontro pela Diocese de Joinville, com a presença de qualificados conferencistas; a estrutura apropriada e confortável e a capacidade de reunir competentes e entusiasmadas equipes de trabalho. A participação firme e efetiva de todas e todos que vieram ao encontro também foi destacada pelo arcebispo.
À frente da coordenação e organização do 10º Muticom, o padre Ivanor Macieski enfatizou, ao final: “Hoje, nos domina um sentimento de alegria, de missão cumprida, em poder reunir diversos comunicadores, para juntos compartilharmos da mesma fé e dos mesmos sentimentos, e procurarmos alternativas e soluções que nos ajudem a comunicar melhor o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo”.
Espiritualidade
A espiritualidade e religiosidade estiveram presentes durante todo o mutirão, nas Santas Missas, celebração da Palavra, culto ecumênico, além das celebrações solenes. Um momento especial foi a consagração de todos os comunicadores a Nossa Senhora Aparecida, lembrando os 300 anos de sua aparição na rede de simples pescadores. O Mutirão Brasileiro de Comunicação se encerrou com missa no Santuário da Santa Paulina, na cidade de Nova Trento-SC, presidida por Dom Darci Nicioli, bispo referencial para a Comunicação da CNBB.
Goiânia sediará o 11º Muticom
A cidade de Goiânia foi escolhida para sediar, em 2019, o 11º Mutirão Brasileiro de Comunicação (Muticom). O anúncio foi feito na noite do terceiro dia do evento, por Dom Darci José Nicioli, que presidiu a cerimônia de entrega do símbolo oficial do evento, pela equipe da Diocese de Joinville à da Arquidiocese de Goiânia. Na ocasião, foi apresentado um vídeoconvite para o Muticom 2019, mostrando a capital goiana, produzido em parceria com a Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), já divulgando a marca do próximo mutirão, criada pela designer Ana Paula Mota, do Vicom. O tema ainda será escolhido pela comissão organizadora.
Ao receber o símbolo, Dom Levi Bonatto destacou a alegria da Arquidiocese em sediar o próximo Muticom, mas também a responsabilidade que representa, reafirmando o compromisso assumido em nome do arcebispo metropolitano, Dom Washington Cruz. “Estamos muito honrados com esta escolha, porque o Muticom é um dos maiores eventos de comunicação no Brasil, que reúne profissionais e estudantes da área, comunicadores católicos e integrantes de Pastorais da Comunicação, para ajudar na compreensão da comunicação como instrumento de comunhão e progresso humano. A sociedade e os meios de comunicação, hoje em dia, exigem dinamismo na forma de mostrar o Evangelho. O Evangelho é o mesmo de sempre, tem dois mil anos, mas a forma de apresentá-lo tem que ser diferente”, disse o bispo auxiliar.
A Arquidiocese de Goiânia, rumo ao 11º Muticom, acredita que os resultados serão positivos e que virão do empenho e da unidade na sua preparação, entre o Regional Centro-Oeste da
CNBB, a Arquidiocese de Goiânia e seus parceiros. O formato do próximo evento vai levar em consideração as experiências já vividas e as avaliações feitas pelos participantes ao longo das edições anteriores. Assim como a comunicação se modifica, o Mutirão Brasileiro de Comunicação, naturalmente, deve acompanhar essas mudanças, sempre à luz do Evangelho. Que o empenho para a próxima edição propicie a continuidade das importantes reflexões e ações das edições anteriores.
O símbolo do Muticom
A Diocese de Joinville apresentou, na 10ª_edição do Muticom, o símbolo que passa a representar o evento. Idealizado pela comissão organizadora do encontro deste ano e pela Comissão de Comunicação da CNBB, ele será repassado a todas as cidades que irão sediar o Mutirão Brasileiro de Comunicação de agora em diante. A peça é feita em acrílico e metal, sendo formada por uma pomba, que representa o Espírito Santo, como o agente da comunicação entre Deus e as pessoas. Dela emanam quatro raios dourados, com as palavras “comunhão, participação, fé e ética”, que são as bases da boa comunicação, principalmente a cristã. Já os “quadrinhos” representam as diversas pessoas e realidades pastorais e comunicacionais que, em “mutirão”, por meio da comunicação, constroem um mundo melhor. O símbolo deve chegar a Goiânia em setembro.
Histórico dos mutirões
1º 1998 – Belo Horizonte – MG: “Solidariedade – Ética – Cidadania”
2º 2000 – São Paulo – SP: “Relações Solidárias na Aldeia e no Global”
3º 2003 – Salvador – BA: “Comunicação para outra ordem social”
4º 2005 – Guarapari – ES: “Comunicação e Responsabilidade Social”
5º 2007 – Belém – PA: “Comunicação e Amazônia – Fé e Cultura de Paz”
6º 2010 – Porto Alegre – RS: “Processos de Comunicação e Cultura Solidária”
7º 2011 – Rio de Janeiro – RJ: “Comunicação e vida: diversidade e mobilidades”
8º 2013 – Natal – RN: “Comunicação e participação cidadã: meios e processos”
9º 2015 – Vitória – ES: “Ética nas comunicações”
10º 2017 – Joinville – SC: “Educar para comunicação”
11º 2019 – GOIÂNIA – GO