Diariamente consumimos notícias sobre os mais diversos assuntos. Não precisa esforço para notar que a maioria é carregada de teor negativo, sobretudo nos tempos sombrios de corrupção por que passa o Brasil. Na TV, além da corrupção, é destaque permanentemente conteúdo sobre violência, assaltos, assassinatos, tudo isso encaixado no ângulo perfeito das câmeras como se se tratasse de um filme hollywoodiano. Somos atraídos pelo belo, por isso, cada vez mais, os profissionais da comunicação têm se esforçado para extrair beleza até do degradante. Se não bastasse, nos acostumamos com isso.
A caça à Boa Notícia é hoje um trabalho árduo. Nos portais, na internet, o novo visual da atriz ou o passeio da cantora ao shopping com seu filho e até com o cachorro é notícia de destaque, numa sobreposição do privado que ganha importância pública, respondendo aos apelos do mercado. Afinal, se tem atenção, tem receita. O que podemos fazer a respeito?
O papa, em sua mensagem para o 51º Dia Mundial das Comunicações Sociais, celebrado neste domingo (28), traz algumas pistas de ação a partir do tema “Não tenhas medo, que eu estou contigo” (Is 43,5), e do lema “Comunicar esperança e confiança no nosso tempo”. No texto, o pontífice convida todos a verem a realidade com consciente confiança, “por meio de uma comunicação construtiva que, ao rejeitar preconceitos em relação ao outro, promove uma cultura do encontro”.
Francisco lembra que a informação é um resultado seletivo e cabe aos profissionais “decidir qual material fornecer”, evidentemente sem com isso promover uma desinformação que ignora, por exemplo, os dramas do sofrimento. Segundo o papa, esse é o desafio diário dos comunicadores. A mensagem oferece também uma contribuição à busca de um estilo comunicativo aberto e criativo, que inspira abordagens propositivas. “Creio que seja necessário romper o círculo vicioso da angústia e deter a espiral do medo, resultado do hábito de concentrar a atenção sobre as ‘más notícias’”. Em outras palavras, quanto mais consumimos conteúdo negativo, mais ele é produzido.
"A mensagem oferece também uma contribuição à busca de um estilo comunicativo aberto e criativo, que inspira abordagens propositivas"
Igreja e Comunicação
A comunicação na Igreja tem caminhada de longa data, que começou oficialmente em 1957, com a carta encíclica do papa Pio XII, Miranda Prorsus, sobre os meios de comunicação eletrônicos da época: cinema, rádio e televisão. De lá para cá, o último documento publicado pelo sucessor de Pedro foi O rápido desenvolvimento, carta apostólica de São João Paulo II (2005), que fala sobre a evolução das tecnologias no campo da mídia. Tantos outros podem ser destacados, sobretudo no Brasil, que por meio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) aprovou, no ano de 2014, em Conselho Permanente, o Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil. Um trecho do documento sintetiza seu objetivo, que vai ao encontro da comunicação propositiva que fala o papa Francisco: “A comunicação na Igreja e da Igreja remete ao Deus uno e trino. O Verbo encarnado, em sua comunicação, manifesta a grandeza, a profundidade e a beleza do amor de Deus à humanidade” (nº 41).
"A Pastoral da Comunicação tem o papel de dar ressonância à ação pastoral que a Igreja realiza, por isso, não é possível fazer Pascom em uma comunidade que não tenha vida pastoral"
Para o coordenador da Pastoral da Comunicação (Pascom), no Regional Centro-Oeste da CNBB (Goiás e Distrito Federal), irmão Diego Joaquim, a comunicação positiva pode ser desenvolvida de muitas formas. Uma delas é por meio da Pascom. “A Pastoral da Comunicação tem o papel de dar ressonância à ação pastoral que a Igreja realiza, por isso não é possível fazer Pascom em uma comunidade que não tenha vida pastoral”, diz. Ele argumenta que cabe a esse serviço específico a missão de fazer chegar mais longe a vida pastoral aos que participam e àqueles que também não estão nas comunidades. “Fazer com que as pessoas se sintam encantadas pelo testemunho e sejam atraídas a participar desta missão, esse é nosso desafio”, afirma. E como fazer o coração inflamar pela palavra? “Temos muitas possibilidades de comunicação na Igreja, porque temos muito a partilhar: a liturgia é comunicação, o ato de evangelizar é comunicação, mas hoje precisamos estar atentos às novas possiblidades que a mídia eletrônica nos possibilita, mas, evidentemente, precisa estar claro que tudo isso são plataformas do nosso testemunho, que devem nos levar cada vez mais longe na obra evangelizadora da Igreja”, destaca.
Na Arquidiocese de Goiânia, a comunicação é uma prioridade desde o nosso primeiro arcebispo, Dom Fernando Gomes dos Santos (1957-1985), que fundou a Revista da Arquidiocese, adquiriu a Rádio Difusora e incentivou o antigo Jornal Brasil Central. Com Dom Antonio (1986-2002), esta Igreja particular também teve o Jornal Comunhão e Participação e, atualmente, é servido pelo Jornal Encontro Semanal, de cunho totalmente eclesiástico, com tiragem semanal de 22.400 exemplares, distribuídos nos 27 municípios que integram a Arquidiocese. “Este Encontro Semanal completa três anos de circulação. Folheando suas edições, o leitor pode comprovar o quanto este veículo tem servido à comunicação da esperança e das alternativas pastorais e sociais para os grandes problemas e desafios dentro dos quais a Igreja é vocacionada a testemunhar a fé, a esperança e a caridade”, destaca Dom Washington Cruz em sua Palavra desta semana. Este meio de comunicação é base aos demais veículos da Arquidiocese que conta também com o Boletim Pastoral, distribuído na Reunião Mensal de Pastoral, da Revista da Arquidiocese, das redes sociais na internet e o novíssimo site, que está mais dinâmico, leve e adaptado para dispositivos móveis.
Muticom 2019
Durante a 55a Assembleia Geral da CNBB, realizada nos dias 26 de abril a 5 de maio, em Aparecida (SP), a Arquidiocese de Goiânia foi escolhida para sediar o 11º Mutirão Brasileiro de Comunicação (Muticom), em 2019. Trata-se do maior evento de comunicação do país. Instituído pela CNBB em 1998, tem como finalidade colocar em comum os saberes e as pesquisas práticas de comunicação. O bispo auxiliar e responsável pelo Vicariato para a Comunicação (Vicom), Dom Levi Bonatto, diz que sediar o Muticom será importante para a Igreja de Goiânia, porque “irá nos ajudar a crescer no entendimento da comunicação e no uso das modernas mídias em nossos diferentes serviços e, de modo especial, na evangelização”, declarou.