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24/02/2025
Leia na íntegra a homilia de Dom João Justino na Santa Missa de Ordenação Episcopal
Mons. José Roberto dos Reis foi ordenado bispo no sábado, 22 de fevereiro
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HOMILIA PARA A ORDENAÇÃO EPISCOPAL DE
MONS. JOSÉ ROBERTO DOS REIS
ELEITO BISPO AUXILIAR DE GOIÂNIA
22 de fevereiro de 2025 – Catedral de São Luís de Montes Belos – Goiás
Inicio esta homilia com especial agradecimento ao Santo Padre, o Papa Francisco. Ele escutou e atendeu nosso pedido de poder contar na Arquidiocese de Goiânia com a colaboração de mais dois bispos auxiliares. Concedeu-nos, então, Dom Danival e, agora, Mons. José Roberto. Celebrando a festa da Cátedra de São Pedro, em comunhão com o Papa Francisco, roguemos ao Senhor por sua saúde. Rezamos para que ele se recupere e continue sua missão de conduzir a Igreja, nos convidando a cada momento para viver da “alegria do evangelho”.
Irmãs e irmãos, caro Mons. José Roberto, a Palavra de Deus tem lugar muito especial na celebração de hoje. Em primeiro lugar, ela nos convoca à escuta do Senhor. Os textos foram proclamados. É importante nos voltarmos a eles e deixar que a palavra, qual semente encontre nossos corações como terra fértil. Esperamos os frutos. Trabalhemos para produzir frutos. A graça de Deus nos acompanha.
As palavras do profeta Isaías falam da eleição, da unção e do envio do servo do Senhor. Condensa-se aqui uma dinâmica vocacional que se repete na vida dos que o Senhor escolhe. Mons. José Roberto, você foi escolhido tal como escutamos a pouco na leitura da bula de nomeação; daqui a momentos terá sua cabeça ungida pela ação do Espírito Santo; e daqui a alguns dias, assumirá em Goiânia a missão de ser bispo auxiliar. Eleição – unção – envio. Deixe ressoar em seu coração as palavras do profeta. Que elas alimentem seu jeito de agir em nome de Cristo: “dar a boa nova aos humildes, curas as feridas da alma, pregar a redenção para os cativos e a liberdade para os que estão presos, proclamar o tempo da graça do Senhor... consolar os que choram...”. Há inúmeras pessoas nestes tempos à procura de quem lhes traga a boa nova, cure suas feridas, ajude-as a se libertarem das amarras que as dificultam viver com dignidade de filhos e filhas de Deus.
Ressoe em seu coração, mas também no coração de todos nós ministros ordenados, as palavras da carta de São Pedro que nos exorta: “Sede pastores do rebanho confiado a vós, cuidai do rebanho”. São palavras que denunciam o descaminho a ser evitado e apontam o caminho a ser seguido. Diz o texto: “cuidai do rebanho não por coação, mas de coração generoso; não por torpe ganância, mas livremente; não como dominadores daqueles que vos foram confiados, mas antes, como modelos do rebanho”. A coação, a torpe ganância, a dominação não são próprias de quem é discípulo e servidor de Jesus Cristo. Essas más atitudes poderiam até ser consideradas as bases do tão denunciado clericalismo. Importa cultivar um pastoreio de coração generoso, livre e exemplar. Diz, ainda, a carta: “quando aparecer o pastor supremo, recebereis a coroa permanente da glória”. O senhor receberá, Mons. José Roberto, a mitra como uma das insígnias episcopais. O ritual indica: “Recebe a mitra e brilhe em ti o esplendor da santidade, para que, quando vier o Príncipe dos Pastores, mereças receber a imarcescível coroa da glória”. Cada vez que for colocar a mitra em sua cabeça, recorde-se, Mons. José Roberto, de que ela é símbolo do compromisso de viver um pastoreio de coração generoso, livre e exemplar. Para os pastores, esse modo de ser e agir é estrada para a santidade.
Cantamos o belo salmo 23, que celebra a missão do zeloso pastor que conduz as ovelhas às águas refrescantes, que prepara a mesa e o cálice de vinho, que unge a cabeça, que garante segurança com seu cajado. E o evangelho de São João nos oferece as palavras de Jesus: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas... Conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem...”. Juntos de Jesus, todos somos membros de seu rebanho. Há um só pastor, ele, Jesus Cristo. E como é que podemos ser chamados de pastores? O Senhor nos concede por pura graça participarmos de seu pastoreio. Somos por ele, Pastor Supremo, associados à missão de cuidar do rebanho. Com estas palavras, entregaremos o báculo ao novo bispo: “Recebe o báculo, símbolo do serviço pastoral, e cuida de todo o rebanho, no qual o Espírito Santo te constituiu bispo a fim de apascentares a Igreja de Deus”.
Ensina-nos o Papa Francisco na exortação Evangelii gaudium. Escutemos com atenção: “O Bispo deve favorecer sempre a comunhão missionária na sua Igreja diocesana, seguindo o ideal das primeiras comunidades cristãs, em que os crentes tinham um só coração e uma só alma (cf. At 4, 32). Para isso, às vezes pôr-se-á à frente para indicar a estrada e sustentar a esperança do povo, outras vezes manter-se-á simplesmente no meio de todos com a sua proximidade simples e misericordiosa e, em certas circunstâncias, deverá caminhar atrás do povo, para ajudar aqueles que se atrasaram e sobretudo porque o próprio rebanho possui o olfato para encontrar novas estradas” (EG 31).
Mons. José Roberto, em sua missão episcopal, “pregue a palavra de Deus, quer agrade, quer desagrade. Admoeste com paciência e desejo de ensinar”. Quando pronunciarmos a prece de consagração, o livro dos evangelhos será aberto sobre sua cabeça, como uma espécie de casa, de um teto sob o qual sua vida há de continuar a ser moldada. Que rito expressivo! Habitar na casa da palavra... E depois nós lhe entregaremos o livro dos evangelhos para que você anuncie por seus gestos e por suas palavras o Evangelho de Jesus Cristo.
Tenha sempre presente as palavras da homilia ritual: “Quanto a ti, irmão caríssimo, escolhido pelo Senhor, lembra-te que foste tirado dentre os seres humanos e colocado a serviço deles nas coisas de Deus. O Episcopado é um serviço e não uma honra; o Bispo deve distinguir-se mais pelo serviço prestado que pelas honrarias recebidas. Conforme o preceito do Senhor, aquele que é maior seja como o menor, e aquele que preside, como o que serve”.
Mons. José Roberto, o senhor conhece um pouco da Igreja de Goiânia, pois ali passou seus anos de formação como estudante do IFITEG e da PUC-Goiás. Mais tarde o senhor ali atuou como padre formador e vigário paroquial. Seu retorno se dá agora noutro tempo e para novo ministério. Nós sabemos de suas competências e disposição para esse serviço à Igreja. Sua experiência como consagrado e de longos anos como mestre de noviços forjaram em seu coração a especialidade da escuta e do discernimento. Seu amor à Palavra de Deus e sua espiritualidade do mistério da Paixão de Nosso Senhor muito ajudarão nossa Igreja de Goiânia a buscar permanecer na comunhão com Nosso Senhor Jesus Cristo.
Venha, então, de coração para servir aquela porção do Povo de Deus que está em Goiânia. Venha testemunhar entre nós o amor de Deus revelado na Cruz do Filho Amado. Venha somar-se a nós na missão de evangelizar num contexto urbano repleto de desafios, mas também de inúmeras potencialidades. Venha pastorear conosco um povo sedento da Palavra, da santidade, da justiça e da paz. Venha para a comunhão dos bispos da Província Eclesiástica de Goiânia, do Regional Centro Oeste da CNBB. Venha para a experiência de colegialidade dos bispos do Brasil expressa na Conferência Episcopal. Venha com seu coração de discípulo amado e de missionário da cruz de Jesus Cristo.
Seu ministério inicia no ano jubilar, cuja mensagem central é a esperança. Que graça especial, Mons. José Roberto! Seja entre nós um arauto da esperança.
Finalmente, permita-me trazer-lhe uma lembrança não menos importante. E faço, tomando palavras de São Paulo da Cruz: Mons. José Roberto, “na fronte dos pobres está escrito o nome de Jesus. Olhe os pobres, eles trazem esculpido na fronte o nome de Jesus”.
Nossa Senhora Auxiliadora, padroeira da Arquidiocese de Goiânia, o acompanha neste itinerário. Os Santos passionistas sejam sempre mais seus inspiradores. E todos nós vamos permanecer juntos na edificação da Igreja com os olhos voltados para o Reino definitivo.
Amém.