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17/02/2025
TESTEMUNHO DA LUZ – DIA 24 DE FEVEREIRO DE 2025

SEGUNDA-FEIRA DA 7ª SEMANA DO TEMPO COMUM
Prezada irmã, prezado irmão. Iniciamos nesta segunda-feira da sétima semana do tempo a leitura de alguns trechos do livro do Livro do Eclesiástico. Esse livro é também chamado de Sirácida e pertence à tradição sapiencial do Antigo Testamento. Foi escrito por Ben Sira no início do século II a.C. Seu propósito é transmitir ensinamentos sobre a sabedoria, a vida reta e o temor do Senhor. O capítulo 1 introduz a temática central do livro: a relação entre a sabedoria e Deus.
O texto começa afirmando que “toda sabedoria vem do Senhor e está com Ele para sempre” (1,1). Aqui, a sabedoria (sophía) não é meramente um conhecimento humano, mas um atributo divino que pertence a Deus desde a eternidade. A pergunta retórica “Quem poderá contar os grãos de areia do mar, as gotas da chuva ou os dias do tempo?” (1,2) enfatiza a incomensurabilidade da sabedoria divina, que transcende a compreensão humana. Essa ideia reflete a tradição da literatura sapiencial (cf. Jó 28,20-28; Pr 8,22-31), onde a sabedoria é apresentada como algo que pertence essencialmente a Deus e que só pode ser comunicada aos homens por Ele.
Nos versículos 3 a 6, o autor reafirma que a sabedoria foi criada por Deus e derramada sobre todas as suas obras. Esse conceito se alinha com o pensamento da tradição judaica posterior, que vê a sabedoria como uma realidade quase hipostática, ou seja, uma manifestação ativa da presença divina no mundo. Essa perspectiva será aprofundada nos livros sapienciais tardios, como Sabedoria 7,22-30, onde a sabedoria é descrita como um reflexo da luz eterna de Deus.
O versículo 7 destaca que a sabedoria é concedida àqueles que temem o Senhor. O temor do Senhor (yirat Adonai) não significa medo, mas reverência e reconhecimento da soberania divina, sendo esse o fundamento da verdadeira sabedoria (cf. Pr 1,7; Sl 111,10). Nos versículos 8-9, o texto reforça que Deus criou a sabedoria, derramou-a sobre seus fiéis e a distribuiu segundo sua vontade. A menção de que a sabedoria foi concedida de forma especial àqueles que amam a Deus (1,10) aponta para a relação entre sabedoria e retidão moral: somente os que vivem segundo a vontade divina podem receber esse dom plenamente.
Para nós cristãos, essa passagem antecipa a revelação da Sabedoria encarnada em Cristo (cf. Jo 1,1-3; Cl 2,3). Jesus é a plenitude da sabedoria divina e, por meio do Espírito Santo, distribui esse dom à Igreja (1Cor 1,30). Assim, Eclesiástico 1,1-10 nos convida a buscar a sabedoria não apenas como um conhecimento intelectual, mas como um caminho de comunhão com Deus. Em um mundo que valoriza a inteligência técnica e a informação instantânea, essa passagem recorda que a verdadeira sabedoria nasce do temor do Senhor e se expressa em uma vida de fé, humildade e amor ao próximo.